Bariri - O vereador Edcarlos Pereira dos Santos (PV) denunciou, na última segunda-feira, na Câmara de Bariri (56 quilômetros de Bauru), que a prefeitura está depositando de forma irregular entulhos em uma extensa área localizada onde existem nascentes no loteamento Cidade Jardim. A denúncia foi feita enquanto o vereador fazia uso da palavra livre. O vereador foi procurado pela reportagem do Jornal da Cidade e confirmou que diversos tipos de entulhos, como restos de construção, galhos de árvores e todo tipo de lixo estão sendo depositados no local para aterrar uma antiga lagoa existente ali.
Edcarlos classificou a atitude da administração municipal de depositar o lixo no local e autorizar que carroceiros e empresas terceirizadas façam o mesmo como crime ambiental. De acordo com o vereador, antes de aterrar a área seria preciso realizar um trabalho de preservação das nascentes, bem como a drenagem das mesmas. “Jogar lixo por cima não irá resolver a situação e, pior, irá prejudicar as nascentes”, reclama.
A área, que é de 10.600 metros quadrados, em época de chuva constante fica toda alagada. O presidente da ONG Atitude Ambiental, Sinclair Policarpo, também condenou a atitude da prefeitura. De acordo com ele, no passado havia uma lagoa para a extração de argila no local. O processo de extração acabou por danificar o lençol superficial de água.
O presidente da ONG conta que, no passado, a lagoa que oferecia risco para a população já foi aterrada, mas o problema ressurgiu recentemente. Policarpo conta que parte da área em questão é institucional e outra parte deve ser destinada para o lazer. Para o ambientalista, o problema não pode ser resolvido com depósito de todo tipo de entulho no local.
Policarpo disse que esteve na área e conta que já entrou em contato com o presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) para saber se a administração teria comunicado o fato para o órgão e foi informado pelo próprio presidente do conselho, Roque Gilberto Diman, que nada havia sido informado.
Procurado, Diman disse que pretende ainda nesta semana solicitar explicações da administração municipal sobre o problema . Policarpo disse que sugeriu ao Comdema que solicite a interrupção imediata do aterramento da área. “Caso isso não aconteça, não descarto a possibilidade de entrarmos com uma ação civil pública para impedir o prosseguimento do aterramento”, afirmou.
Benedito Senafonde Mazotti, prefeito de Bariri, disse à reportagem que não há nada de errado em aterrar o local, que se trata de uma área institucional. Segundo o prefeito, ao contrário da denúncia feita pelo vereador, apenas foi autorizado depositar restos de construção e não galhos de árvores ou outro tipo de lixo. “O processo de aterro já foi feito no passado, mas ficou uma depressão muito grande onde, nos períodos de chuva, a água fica empoçada, por isso, o processo de aterramento foi retomado”, afirma Mazotti.
O chefe do Executivo de Bariri nega que no local existam nascentes. De acordo com ele, a umidade permanente é resultado do acúmulo de água na área que, na verdade, trata-se de um fundo de vale. Mazotti disse que ainda não foi definido o que será feito no local, apenas existe a intenção de resolver o problema da formação de poças de água definitivamente.
De acordo com o prefeito, não há nada de errado, nem mesmo com o loteamento, que foi aprovado pelo Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo (Grapoahab), em 2002. De acordo com ele, o Departamento de Análise de Impacto Ambiental, que pertence ao órgão, também não encontrou irregularidades e certificou o loteamento.