09 de julho de 2026
Nacional

PF faz nova busca e apreensão em sede do grupo de Daniel Dantas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - No mesmo dia em que o delegado Protógenes Queiroz, que investigou o Grupo Opportunity, prestou depoimento à CPI dos Grampos, a sede da empresa, no Rio de Janeiro, foi alvo de uma nova busca e apreensão ordenada pela Justiça Federal.

Agentes da Polícia Federal chegaram à empresa ontem de manhã, com um mandado assinado pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo, que determinou uma devassa no departamento jurídico do Opportunity, de Daniel Dantas.

O ato é um desdobramento da Operação Satiagraha, que investiga Dantas e o grupo por supostos crimes financeiros. O objetivo era apreender registros contábeis e documentos com a razão social de pelo menos 80 empresas que seriam integradas ao Opportunity.

A PF, que pediu ao juiz a ordem de busca, disse que, após ouvir funcionários do Opportunity, foi narrada a existência de cerca de 80 empresas não financeiras criadas para “suprir eventuais necessidades de caixa”. A polícia informou ser “imprescindível” para a investigação localizar os contratos para transferência de recursos entre as empresas e adiantamentos de futuro aumento de capital.

Esses papéis, informou a PF, já haviam sido solicitados à direção do banco, que teria se recusado a repassá-los sob a justificativa de que os dados estavam disponíveis em meio eletrônico. Segundo a PF os arquivos estavam incompletos.

Em nota, o advogado de Dantas, Andrei Zenkner Schmidt, informou que a busca está “impregnada de arbitrariedades”. Disse que a polícia não justificou a solicitação de outros documentos além dos que já estavam com ela.

“A razão para a Polícia Federal buscar, pela segunda vez, documentos que já tinha em seu poder é evidente: ciente de que a Operação Satiagraha é nula em sua origem, tenta novamente acessar documentos para conferir nova aparência a uma prova antiga, já viciada”, afirmou Schmidt.

O defensor criticou ainda o fato de a busca ter ocorrido no início do feriado de Páscoa da Justiça, o que, de acordo com ele, teve como objetivo dificultar a defesa.

Como os documentos visados pela PF na operação de busca estavam guardados no departamento jurídico do Opportunity, advogados protestaram contra a decisão do juiz. Disseram que a legislação prevê o caráter inviolável dos escritórios de advocacia.

Na decisão, De Sanctis sustentou que departamento jurídico não é “escritório de advogado autônomo” e que, entre os investigados na Operação Satiagraha, está a diretora jurídica do Grupo Opportunity, Danielle Ninio.

Ontem de manhã, após o protesto de advogados, o juiz deu uma nova decisão reiterando que a ordem de busca deveria ser efetivamente cumprida no setor jurídico do grupo.

O advogado de Dantas criticou o fato de a data da operação coincidir com o depoimento de Protógenes. O policial, que comandou a Satiagraha até ser afastado pelo comando da PF por suposta insubordinação, é desafeto público do banqueiro.