Apesar do feriado prolongado ser sinônimo de descanso para muitos, nem todas as preocupações cotidianas são deixadas de lado nos dias de “ócio permitido”. Os animais de estimação, que fazem a alegria dos donos ao chegarem em casa ao final de um atribulado expediente, podem se tornar, nos feriados, ao invés de divertimento e carinho, sinônimo de problemas à vista se o assunto é viagem.
Se há lugar para o amigo de coleiras no carro e destino, muito bem. Festa garantida para dono e, principalmente, para o bichinho, que não passará pelas agruras e uivos dentro de uma casa vazia. Mas, se não é possível levar o melhor amigo “na bagagem”, por quanto tempo e aonde deixá-lo?
Vale a pena deixar o bichinho em casa, onde a docilidade do mascote, num piscar de olhos, pode se transformar na voracidade de uma fera devoradora, que, angustiada pela solidão, tritura revistas, jornais, quinas de móveis e tudo o mais que vier pela frente, além da sujeira, de cabo a rabo, transformando a casa num legítimo “pós guerra”?
Cientes de que o melhor lar para o cachorro, quando os proprietários estão ausentes, é fora de casa, ao ser deixado aos cuidados de estabelecimentos especializados em estadias do gênero, os donos aderem a esse conceito e caem na estrada tranqüilos de que o companheiro de coleiras receberá tratamento “cinco estrelas”, além de pouparem a vizinhança dos uivos e choradeira comuns em bichinhos solitários.
Hotel ‘doce lar’
Mais do que na moda, os hotéis para cães tornam-se, efetivamente, necessários, já que os proprietários cada vez mais tentam evitar as dores de cabeça citadas no texto acima. No entanto, uma novo dilema surge: com quem e como deve ficar o ‘totó’ durante os dias de ausência?. Uma das maiores preocupações entre os donos, principalmente aqueles que consideram os animais de estimação legítimos “integrantes da família”, é quanto ao espaço.
Em alguns “hotéis”, geralmente montados em anexo a clínicas veterinárias, reclamam alguns donos, o cantinho destinado aos hóspedes têm dimensões reduzidas, o que, apontam, geraria estresse no animal, já angustiado pela ausência dos donos. Em alguns casos, viagens chegam a ser canceladas porque o conforto do cãozinho é prioridade.
Por isso, as hospedarias caninas investem em espaço e atividades para que o animal também não fique ocioso durante o descanso dos proprietários. “Diariamente, pela manhã, o cão dá ‘uma volta’ acompanhada em nosso gramado”, detalha Sueli Rodrigues da Silva, administradora de um canil para adestramento e hospedagem de Bauru.
Segundo ela, o melhor a fazer, no caso de marinheiros de, literalmente, primeira viagem, é o próprio dono conhecer as instalações do “resort” onde o melhor amigo ficará. “No nosso caso, muitos proprietários vêm conhecer antes, observam se o animal vai ficar à vontade, e depois deixam o cão conosco”, relata, ao salientar que a alimentação segue os mesmos padrões estabelecidos em casa. “O tratamento é igual, com mesma ração, mandada pelo dono, e horários”, acentua.
Dimensões
Quanto a maior preocupação, o espaço, Sueli garante que, ao menos em seu hotel, a relação tamanho x conforto não é problema. “Geralmente nas clínicas é que os locais são menores, pois os cães ficam, em alguns casos, dentro de gaiolinhas”, compara a administradora do canil, que possui 60 “suítes”, com dimensões de 8 x 8 metros.
O preço da diária, detalha, depende do porte do animal. Cachorros pequenos, segundo ela, têm a hospedagem orçada em R$ 23,00. Já a estadia dos cães de tamanho médio é de R$ 28,00. Os preços, frisa a administradora, não contam a taxa de transporte do animal.
O “transfer canino” é orçado em R$ 20,00. “Antes de retornar para o dono os animais ainda tomam banho”, diferencia a administradora, afirmando que, neste feriado, não há risco de superlotação nas 40 acomodações. Entretanto, nem sempre é assim, garante: “O pessoal sempre deixa para a última hora e em outros feriados, como o Natal, isso aqui fica cheio”, diferencia.
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“Crianças”
Na impossibilidade de curtir a viagem “em família”, os bichinhos, ao serem encaminhados para as hospedarias, precisam ter a garantia de cuidado e carinho semelhante ao encontrado em casa. É o requisito mínimo exigido pelos donos, em busca da tranqüilidade longe de suas “crianças”. “Na primeira vez em que os deixei fiquei preocupado, evidentemente. Mas depois vi que eles (funcionários do canil) têm muito cuidado”, tranqüiliza João Porto, que, sempre que viaja, deixa suas três pequenas lhasa apso aos cuidados do canil.
Delegado de polícia aposentado, Porto conta que uma de suas maiores preocupações, era, justamente, não “encarceirar” Lady e as filhotas Mel e Bela. “O espaço onde as deixo é grande e ficam as três no mesmo lugar”, detalha Porto, que não esconde o carinho que tem pelas cachorrinhas que fazem a alegria do lar. “Os filhos da gente saem de casa e os netos moram longe. Quando vou visitá-los, em Bragança Paulista, deixo as cachorrinhas sempre no canil, onde só há cães sadios”, incentiva.