08 de julho de 2026
Cultura

Sambódromo renasce com festa junina

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Após oito anos, o Sambódromo de Bauru vai renascer. Mas engana-se quem acha que vai ser ao som do samba. O ritmo que vai comandar a volta dos eventos públicos e culturais ao local, em condições ideais, é a música raiz, caipira e sertaneja. Para isso, membros da Comissão Organizadora do Carnaval 2010 e representantes da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) se reuniram, na manhã de ontem, para avaliar a situação do espaço.

Francisco Mello Nóbrega representou o secretário de Cultura, Pedro Romualdo, que não pôde comparecer à vistoria do Sambódromo, e informou que, nos próximos dois meses, será feita a limpeza do local e a recuperação do alambrado. “Nossa meta é que tudo fique pronto em junho. Uma festa junina será a primeira atividade realizada no Sambódromo, e faz parte do projeto de recuperação e readequação do espaço”, explica Nóbrega.

“Todo esse trabalho é feito com pensamento no Carnaval do próximo ano, que deve ser realizado nesse local. Queremos resgatar a tradição da festa na cidade, que durante dez anos atraiu pessoas de toda a região”, acrescenta.

Além disso, a SMC pretende contratar uma equipe de segurança para zelar pelo local. “O Sambódromo virou um lixão e não dá para saber quem joga e quem não joga lixo. Junto à contratação de seguranças, queremos sensibilizar os moradores da região para denunciarem os responsáveis pela depredação do local, sem que precisem se expor”, revela Nobrega.

Entre os projetos futuro de recuperação do Sambódromo, SMC e comissão organizadora estudam a possibilidade de fazer uma arquibancada, de aproximadamente 100 metros, na área de concentração das escolas de samba.

O Sambódromo foi inaugurado em 1991 com o desfile de quatro escolas de samba: Mocidade, Império da Vila, Deixa Falar e Tradição (hoje, apenas a Mocidade e Tradição ainda existem em Bauru). O espaço foi palco dos desfiles do Carnaval bauruense até 2001. “A festa no Sambódromo atraía muita gente, não só de Bauru, mas de toda a região. Essa é a beleza do Carnaval, é uma mistura de raças. São pessoas que brincam, torcem e cantam em prol da mesma coisa”, conta Francisco Carlos Sais, presidente da comissão de eventos da escola de samba Tradição.

Desde então, o espaço ficou praticamente abandonado. O mato alto tomou conta das arquibancadas e das calçadas, pichadores deixaram suas marcas, além de ter virado um depósito de lixo. Os postes de iluminação tiveram que ser protegidos para não serem depredados.

Para o secretário da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec), Avelino de Souza, a recuperação do Sambódromo e o início dos eventos culturais no espaço é uma forma de arrecadar fundos para a festa de 2010. “O secretário está com boa intenção e nós temos vontade de trabalhar. Vamos unir forças para voltarmos a usar o espaço público”, afirma.

“Com esse resgate, a cidade ganha muito. O Carnaval é um evento diferenciado, que traz pessoas de toda a região e gera muitos empregos. Esse dinheiro arrecadado durante os dias de festa fica na cidade e movimenta a economia, o que é muito importante”, complementa Souza.