Brasília - Com a crise econômica em curso, a campanha eleitoral de 2010 visível no horizonte e 60% dos recursos da principal bandeira governista ainda não utilizados, o presidente Lula resolveu “dar um gás” na cobrança da execução de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em viagens na companhia da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Até o momento, ela é a escolhida por ele para concorrer à sua sucessão, apresentada como a “mãe” do programa.
Ontem, Lula se reuniu com oito ministros da área de infraestrutura e presidentes de estatais para exigir “celeridade” e avisou que fará um “périplo” pelo País para ver os motivos do atraso e como as obras estão se desenvolvendo. Naturalmente, há a preocupação oficial com o efeito do PAC como forma de mitigar a crise.
O périplo deve começar no fim do mês com visita a obras do rio São Francisco e coincide com declaração de Dilma, em fevereiro, de que neste ano sairia mais de seu gabinete. Marca ainda uma mudança: Até então, Dilma se concentrava em viagens sozinha para se expor mais sem a presença de Lula. “Um dos papéis do governo hoje é sair dos gabinetes, porque nós construímos o processo pelo qual estamos conseguindo enfrentar a crise em melhores condições. O olho do dono engorda o boi. O PAC é o nosso boi, e é um boi já bem gordinho”, afirmou a ministra em fevereiro.
Após reunião com os ministros, Lula pediu detalhes dos problemas na área de transporte e rodovias para saber onde estão os gargalos do programa e por que ocorre a demora. Segundo o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), Lula determinou que os ministros cobrem das empresas encarregadas pelas obras que trabalhem em três turnos.
O presidente já havia pedido isso no auge da crise econômica, mas resolveu reunir os ministros ontem porque, segundo interlocutores, as contratações não estão ocorrendo.
Interlocutores do governo disseram que Lula está incomodado com o discurso de empresários de que há condições de contratar por causa da crise, sendo que há compromisso estabelecido entre governo e empresas de antecipar recursos já que, com o trabalho em três turnos, as entregas das obras também seriam adiantadas.