11 de julho de 2026
Internacional

Evo Morales faz greve de fome por lei que pode garantir reeleição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse ter iniciado ontem uma greve de fome para pressionar o Congresso a aprovar uma polêmica lei de transição constitucional, que representaria um passo rumo a sua reeleição no pleito nacional previsto para dezembro.

Morales começou o jejum às 9h50 (10h50 no horário de Brasília) no palácio presidencial, acompanhado de uma dezena de dirigentes das organizações sociais, entre eles Pedro Montes, secretário-executivo da Central de Trabalhadores Bolviana.

O secretário disse que o protesto foi decidido “frente à negligência de alguns parlamentares neoliberais para defender o voto e o mandato do povo”, já que o Congresso não chegou a um acordo sobre a lei de transição determinada pela nova Constituição.

“Diante da negligência de um grupo de parlamentares, fomos obrigados a adotar esta medida de jejum voluntário”, disse Morales, em discurso pronunciado no palácio de governo de La Paz.

Além disso, um documento do partido governista Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam) advertiu: “Nós nos declaramos em greve de fome junto a Morales e outros líderes da unitária Central Operária Boliviana (COB)”.

A greve de fome foi anunciada em meio ao debate, no Congresso, da nova lei eleitoral - diante de fortes disputas entre governismo e oposição.

O Congresso ignorou o prazo estipulado - meia-noite de quarta-feira (1h de quinta-feira em Brasília) - e continuou o debate sobre a lei eleitoral, medida necessária para convocação das eleições presidenciais de 6 de dezembro.

A sessão transcorreu sob a ameaça dos legisladores do governista Movimento ao Socialismo (MAS) de renunciar a suas cadeiras caso não se chegasse a um acordo com a oposição, o que poderia representar a inabilitação ou até o fechamento do Congresso.

O prazo existe porque a nova Constituição da Bolívia, promulgada em 7 de fevereiro passado, estabelece um período de dois meses, que se completou ontem, para que o Congresso aprove o regime eleitoral que permita convocar eleições gerais.

Atualmente, o partido de Morales conta com maioria suficiente na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, que é controlado pela oposição.

Em entrevista, o presidente do Congresso e vice-presidente do governo, Álvaro García Linera, pediu às legendas “todo o esforço possível” para aprovar a lei porque, após a meia-noite, o Congresso se encontraria em uma “situação complicada” se não houvesse acordo.