08 de julho de 2026
Política

Governar com a força da juventude


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É impossível afirmar, do ponto de vista jornalístico, após 100 dias de mandato, se o governo de Rodrigo Agostinho é bom ou ruim. Mas é possível verificar acertos e erros, virtudes e defeitos. A partir do olhar crítico e atento da população, a pesquisa do IPC encomendada pelo JC e publicada nesta edição mostra que o bauruense atribui virtudes à pessoa do prefeito e, por isso, o aprova, mas vê erros na forma como ele conduziu seu governo até agora, cujas ações e a comunicação do que será feito não surtiram o efeito desejado. Daí a maior das ações em 19 setores públicos de atuação analisados ter ficado entre péssimo e ruim.

Rodrigo já sentiu, a esta altura, algo que os manuais de política consagram: o poder é solitário, ainda mais num regime “presidencialista”, em que a caneta do prefeito é o que resolve, no final das contas. Solitário não no sentido mais usual ou literal da palavra. Mas no que diz respeito à tomada de decisões em meio a uma gama enorme de pressões, lobbies e interesses, sejam eles legítimos ou não.

Neste aspecto, a juventude do prefeito tem sido testada e observada por todos, seja por quem almeja ajudá-lo a fazer o melhor para a cidade, seja por outros que têm tão somente o objetivo de mapear o poder para saber onde ficam os atalhos para os benefícios pessoais ou meramente político-partidários. Este é um ponto crucial na análise da postura do prefeito e dele se espera a plena e clara convicção do que é o interesse público e a firmeza de dizer não em muitas situações, ainda que a sensação seja a de que ele está na contramão do mundo, pois quem tem interesse contrariado ou não atendido grita como se uma revolução estivesse por eclodir.

Nesses três meses e 10 dias de governo, percebe-se o peso da falta da experiência político-administrativa em várias decisões de governo (o caso DAE x Correios foi emblemático), daí a movimentação e a repercussão acima do comum em alguns setores de ressonância na opinião pública, notadamente na imprensa e na Câmara Municipal. O Poder Legislativo, por seu legítimo papel fiscalizador e também por ser o abrigo representativo de grupos antagônicos (que permitem o equilíbrio democrático), faz alarde daquilo que considera errado ou equivocado.

Em contrapartida, a jovem equipe comandada por Rodrigo se mostra entusiasmada com a possibilidade de realizar e corre como há muito não se via em termos de secretariado na prefeitura. Há vigor no Palácio. É nítido. A força e o dinamismo da juventude podem ser um bom contrapeso à falta de habilidade na lide com a política pública, mas é preciso que os auxiliares diretos de Rodrigo também se preparem para dar respostas rápidas às demandas legítimas da população e tenham o discernimento de saber priorizar.

Rodrigo terá de fazer de sua experiência como prefeito um aprendizado rápido em pleno vôo. A cidade espera dele muito mais acertos do que erros. Bauru quer resgatar na figura de seu prefeito o líder perdido há tempos. E ser líder é algo complexo, que requer sabedoria acima da média e ouvidos abertos para quem pode contribuir com idéias sinceras, mesmo que contrariem as posições do prefeito. A reflexão conjunta é o melhor caminho para a tomada de decisões que, ao final, serão mesmo solitárias.