09 de julho de 2026
Bairros

Barracos ‘brotam’ em área verde

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Diferenciadas reivindicações que resultam no problema maior da falta de segurança. Essa é a situação encarada por moradores do Jardim Estoril 3, que além de pleitearem, há anos, a instalação de iluminação pública, principalmente pela margem da área verde ao lado da rua Evandro Ruivo, também convivem com o mato que cresce nas proximidades, também tomadas por uma favela.

O local, que de acordo com os moradores teria de ser transformado em bosque ou praça, está abandonado e foi cercado apenas recentemente pela prefeitura que, ainda segundo eles, teria concedido a área a uma construtora responsável pela implantação da área de lazer à comunidade.

No entanto, afirmam os moradores - que estiveram representados anteontem numa reunião do Conselho de Segurança (Conseg) Centro Sul para novamente reivindicar melhorias para o bairro -, além da não existência da praça, o local, com o crescimento do mato e a favela ao lado, também apresenta outros transtornos, como a queima da vegetação por invasores do terreno.

Erguidos há aproximadamente quatro anos, os barracos - são cerca de dez moradias improvisadas -, apesar de, dizem moradores, não estarem na área delimitada para o bosque, ironicamente são mais iluminados do que as duas ruas que margeiam a grande área. “A favela tem luz por causa dos ‘gatos’ (ligações clandestinas). Já a nossa rua é um breu”, compara o engenheiro orçamentista Paulo Roberto Desan, morador da última casa antes da área verde. Ao lado de sua esposa, Rita de Cássia, ele mostra que o último poste da rua fica a cerca de 150 metros de sua residência e ele não sabe, até o momento, se a falha ocorre por erro de projeto ou descumprimento de norma.

Recentemente, eles incentivaram a vizinhança a colocar firmas num abaixo-assinado encaminhado aos órgãos competentes, entre eles a prefeitura e destinado ao próprio Conseg. No entanto, conta o casal, apenas a cerca em volta da área verde e capinagem parcial do terreno foram providenciados.

A escuridão, de acordo com os moradores, é um dos principais chamarizes para que criminosos ajam no local, onde, ressaltam, há incidência de furtos e roubos. Além dos crimes, a extensa área verde, cercada por um obstáculo com altura pouco superior a meio metro, também serve de abrigo para marginais.

“Temos vizinhos que já tiveram a casa invadida por bandidos armados. O casal e o filho, que com medo já se mudaram, ficaram presos dentro de casa enquanto os ladrões roubavam tudo no carro da família”, recorda Rita de Cássia.

“Na minha casa também entraram. Pularam o muro e descobriram um jeito de dobrar a cerca (eletrificada) sem levar choque”, testemunha a professora universitária aposentada Irene Pinheiro Soares de Campos, que não liga, diretamente, a incidência de crimes na região à favela vizinha. “Nem todos os casos são de gente dessa favela”, pondera. “Os barracos têm que ser removidos, mas essa gente precisa ter para onde ir também, e não invadir outro lugar”, pondera a moradora.

Fiscalização

Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), confirma que as melhorias no local estariam sob alçada da construrora responsável pelo loteamento. No entanto, quanto ao surgimento de barracos, ele garante que a pasta empreende fiscalização constante contra invasões, no setor que compete à secretaria. “Fiscalizamos, mas invasões acontecem muito rápido e, apesar da área estar cercada, ocorrem da noite para o dia”, justifica.

Curiosamente, atentam moradores, os barracos estão situados logo após a linha que delimita o local que abrigaria o futuro bosque. “Fizeram uma cerca improvisada com madeira velha. Não sei como eles sabem de forma exata onde começa a área que seria a praça”, observa o engenheiro Desan.