08 de julho de 2026
Saúde

Conta-Gota


| Tempo de leitura: 4 min

• Estimulantes injetáveis 1

O uso histórico de vitaminas injetáveis indica aumenta da prevalência de hepatite C entre ex-atletas. O resultado está em estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na edição de dezembro da revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A relação, de acordo com o trabalho, comprova a hipótese de um novo grupo de risco para a doença, o que pode levar a mudanças na prática médica.

• Estimulantes 2

“Trata-se da primeira vez que a relação entre injetáveis lícitos e hepatite C é demonstrada com base na comparação entre grupos expostos e não expostos a esses estimulantes. Estudos anteriores meramente descritivos apenas sugeriam essa associação”, afirma Afonso Dinis Costa Passos, professor do Departamento de Medicina Social da FMRP e coordenador do estudo. O grupo analisou 208 ex-atletas profissionais e amadores de futebol e basquete que praticaram essas atividades entre 1960 e 1985 e que responderam a um questionário sobre a exposição a fatores de risco à doença, sobretudo sobre o uso de estimulantes injetáveis.

• Micróbios da obesidade 1

Em termos numéricos e de diversidade, as bactérias no intestino de uma única pessoa superam toda a população humana no planeta. São dezenas de trilhões de microrganismos de milhares de famílias genéticas distintas que compõem o microbioma que ajuda o organismo a realizar uma grande variedade de funções digestivas e regulatórias, muitas das quais ainda pouco compreendidas. Como essa mistura microbiana está ligada a mudanças associadas à obesidade, ela se configura uma questão clínica importante que tem recebido bastante atenção da pesquisa médica. Agora, um novo estudo indica que a composição dos micróbios no intestino pode conter uma chave para uma das causas da obesidade e, consequentemente, o prospecto de um futuro tratamento para o problema que atinge milhões de pessoas em todo o mundo.

• Obesidade 2

Em artigo publicado no site “Proceedings of the National Academy of Science”, um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos descreve uma relação entre diferentes populações microbianas no intestino e peso corporal. A ligação foi verificada em três grupos distintos de indivíduos: com peso normal; que passaram por cirurgia de redução do estômago; e pacientes com obesidade mórbida. A obesidade é uma condição séria associada com diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e outros problemas. Nos Estados Unidos, cerca de 300 mil pessoas morrem todos os anos de doenças relacionadas à obesidade. Segundo os autores do estudo, populações microbianas distintas no intestino fazem com que o corpo precise de mais energia, tornando-o mais suscetível a desenvolver obesidade. São diferenças pequenas, mas que, com o tempo, afetam grandemente o peso do indivíduo.

• Obesidade 3

A pesquisa feita em voluntários identificou que a composição microbiana em pessoas obesas era diferente da de indivíduos com peso normal e também daqueles que passaram por cirurgia para redução do estômago. Para os cientistas, o resultado sugere que as drásticas mudanças anatômicas promovidas pela cirurgia afetam o microbioma, o que colaboraria para apontar a eficácia do procedimento no tratamento da obesidade. Os pesquisadores destacam que o estudo é preliminar e que mais trabalhos são necessários para estabelecer as diferenças na composição da microbiota do intestino de acordo com diferenças em idade, dieta e prática de exercícios. Mas apontam a importância da relação encontrada entre as populações microbianas e a obesidade.

• Hemodiálise 1

A hemodiálise é invasiva e altera radicalmente o cotidiano dos pacientes com problemas nos rins. Por isso, a enfermeira Daniela Comelis Bertolin, mestranda da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP), estudou como cada tipo de pessoa enfrenta o estresse causado por esse tratamento, a fim de auxiliar os profissionais de saúde a orientarem seus pacientes e entenderem como eles se comportam frente a essa diferente realidade. Uma das conclusões é que o acompanhamento por parte da família, amigos ou companheiros é um dos fatores mais importantes para enfrentar a doença e o tratamento.

• Hemodiálise 2

Outros estudos mostram que o acompanhamento durante a hemodiálise reduziu os índices de depressão e mortalidade, contribuindo para uma melhora da qualidade de vida do paciente. Com os questionários respondidos por 107 pacientes do Instituto de Urologia e Nefrologia de São José do Rio Preto, além do suporte social, percebeu-se que outros dois fatores os influenciam a enfrentar o estresse do tratamento. Atividades ligadas ao lazer, ou seja, pessoas que conseguiam um tempo para se divertir e fazer o que gostavam encaravam melhor as dificuldades. Outro fator é a religião, que a literatura associa a uma estratégia chamada reavaliação positiva, na qual o paciente procura enxergar um lado bom no que parece ser muito ruim.