08 de julho de 2026
Bairros

Eu moro e trabalho aqui!

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

A opção por montar um negócio no mesmo imóvel onde se mora é adotada por diversos comerciantes da cidade. A escolha é difícil, uma vez que a balança dos prós e contras está bem equilibrada.

Dentre as vantagens estão não pagar aluguel, ficar mais perto dos filhos, ter mais liberdade, não perder tempo no trânsito, proporcionar atendimento diferenciado ao cliente e poder resolver os problemas de casa a qualquer momento.

As desvantagens são apenas duas, mas valem por muitas. Os principais problemas são os clientes que aparecem fora do horário comercial e a dificuldade de separar a vida pessoal da profissional.

No entanto, para quem tem este tipo de empreendimento, não há dúvidas. Sem arrependimentos pela decisão, eles agradecem por estes negócios que, na maioria da vezes, são a principal fonte de renda de suas famílias. Leia nesta página a história de alguns moradores de Bauru que resolveram colocar em prática seu lado empreendedor e abriram seus negócios na própria casa.

Objetivo é aproveitar melhor o tempo

Diferente de muitos comerciantes que começaram trabalhando em outras empresas, Regina e Jorge Quatrina sempre exerceram suas atividades profissionais em casa. Há 16 anos o casal vende flores e frutas, monta cestas e faz decoração de eventos em uma loja na parte da frente do terreno onde moram.

Para eles, a opção não foi tanto pelo quesito financeiro, mas sim para aproveitar melhor o tempo. “Tem gente que faz isso pelo aspecto financeiro. Ele acaba sendo um dos quesitos, mas o que nos levou a optar foi fazer um melhor aproveitamento do tempo e conciliar atendimento 24 horas”, explica Regina.

Ao contrário da maioria dos donos de lojas, que não gostam quando o cliente aparece fora do horário comercial, os Quatrina apostam neste diferencial.

“Posso atender as pessoas fora do horário comercial porque tem gente que trabalha o dia todo. Como tenho a loja na frente de casa, não preciso me deslocar, o espaço já está preparado. Tenho mais praticidade para que meus clientes venham em horários mais convenientes para eles”, ressalta Regina.

Jorge explica que o ritmo de trabalho é intenso e que mesmo estando praticamente em casa fica difícil dar tanta atenção para a família. “É difícil separar a vida profissional da pessoal, porque vira uma coisa só, ainda mais com duas filhas. O que separa a gente de casa são 12 degraus, não é muita separação. Se for colocar em porcentagem é 70% para o trabalho e 30% para a família, mesmo estando em casa. Brinco que quando Deus me criou, não passei nem perto da fila da preguiça”, diz.

A família está contente com o sucesso do negócio e só aponta um aspecto negativo. “O ruim é que não dá tempo de desligar. Se você tem que pegar o carro e se deslocar para voltar para casa, você vai desligando dos problemas pelo caminho. No nosso caso não tem isso, as relações se misturam. A gente tem que saber separar os problemas de casa e da loja. É difícil, mas a gente não reclama, fala amém e agradece a Deus”, relata Regina.