Agora até animais são utilizados como estratégia para assaltos. E a idéia partiu de menores de idade, com no máximo 13 anos, conforme relatam moradores dos condomínios situados na avenida Affonso José Aiello, na zona sul. Há cerca de uma semana, dois garotos se valeram de um cavalo para forçar os condutores a diminuírem a velocidade.
Para não atropelarem o animal empurrado no meio da rua, os moradores trafegavam lentamente pelo trecho e eram surpreendidos por outro garoto com uma arma em punho. “Ele enfiou o revólver dentro do carro. Tentou abrir uma das portas com o veículo em movimento”, comenta uma das vítimas, que pediu para não ser identificada por questões de segurança.
Luz alta
De acordo com ela, era por volta das 21h30, quando sua família decidiu tomar sorvete. Pegaram a avenida, por ser a única de acesso a quem mora naquela região. Em dado momento, notou que motoristas que vinham do sentido contrário davam luz alta. “Pensei que fosse um acidente”, diz. Não era. Um menor de idade puxava um cavalo no meio da avenida, enquanto outro animal permanecia no acostamento. Os motoristas eram ameaçados pelo segundo garoto, armado.
“A sorte é que meu veículo tem trava automática. Senão, tinha aberto a porta. Conseguimos desviar do animal. Na rotatória, gritávamos para outros motoristas evitarem a avenida naquele momento”, recorda. A pessoa em questão também informou ter ligado no 190, mas criticou o fato de nenhuma viatura ter sido deslocada ao endereço porque a maioria do efetivo estava num show. A informação foi rebatida pelo setor de relações públicas da Polícia Militar.
De acordo com o órgão, um solicitante ligou às 21h57 com a mesma queixa. Às 22h15, a viatura já estava no endereço. A guarnição chegou até o último condomínio, que fez contato com outro, mais próximo do local da ocorrência. Durante o patrulhamento, a dupla de adolescentes não foi encontrada. Por essa razão, o trabalho foi encerrado às 22h42. Ainda segundo a PM, em casos normais, os policiais dão retorno ao solicitante, mas neste caso ele pediu para não ser contatado. Por essa razão, não recebeu ligação de volta.
Como não sabia da informação, a família em questão ficou horas na rua com medo de retornar para casa e passar pelo mesmo desespero. Trafegavam com uma criança de 10 anos, praticamente da mesma idade dos autores do delito.