08 de julho de 2026
Geral

Teste aponta campeões em agrotóxico

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

A alimentação saudável está em alta. Médicos, educadores e nutricionistas pregam constantemente os benefícios de uma dieta rica em frutas, verduras e legumes. No entanto, uma pesquisa divulgada ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz um alerta para população. Deve-se verificar a qualidade destes alimentos e ficar atento aos produtos que, reconhecidamente, apresentam índices maiores de agrotóxicos.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), estudo feito pela Anvisa, revelou que, de 17 culturas analisadas, entre frutas, verduras e legumes, em 1.173 amostras coletadas, 15,29% estavam irregulares quanto aos resíduos de agrotóxicos, ou seja, os alimentos continham resíduos que excederam os limites máximos estabelecidos na lei ou apresentavam agrotóxicos não autorizados.

O pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades, com 64% das amostras contaminadas. Para Carlos Alexandre Oliveira Gomes, técnico da Anvisa e membro da equipe que fez a pesquisa, o resultado não foi uma surpresa. “Existem outros programas em níveis estaduais que já tinham este indicativo de que ele era uma cultura um pouco problemática. Você tem uma influência muito forte também por ele estar no cinturão verde juntamente com a cultura de tomate. Por isso, existe um desvio muito grande de produtos que são utilizados na cultura do tomate para a cultura do pimentão de maneira ilegal, sem registro, o que repercute neste resultado elevado”, explica.

O morango e a uva também apresentaram altos índices de irregularidades, todos superiores a 30% das amostras analisadas. O tomate, velho conhecido quando o assunto é agrotóxicos, teve uma melhora significativa na análise. O percentual de irregularidades nas amostras baixou de 44,72% para 18,27%.

Outro alimento com resultados negativos foi a cenoura, cujo índice de contaminação nas amostras cresceu de 9,93% para 30,39% em um ano. Segundo Gomes, o aumento se deve à utilização de produtos ilegais no cultivo. “A cenoura é monitorada desde 2001 e, nos três últimos anos, estamos percebendo o grau de insatisfatoriedade. Isso, possivelmente, é devido a utilização de agrotóxicos não autorizados. Há um percentual muito elevado nas amostras de um inseticida não resgitrado para a cenoura e, provavelmente, devido ao preço desse produto, os agricultores acabaram utilizando”, afirma.

Um destaque da pesquisa divulgada ontem é a inclusão de oito novos alimentos na análise. Desde 2001 são analisados alface, banana, batata, cenoura, laranja, mamão, maçã, morango e tomate. Neste último estudo, foram incluídos abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva.

“A inclusão de novos alimentos no programa é uma etapa essencial até porque a sociedade necessitava de informações de outros alimentos, principalmente o arroz e o feijão que são a base da alimentação do brasileiro. Esta inclusão ocorreu pelo alto consumo destes alimentos e a necessidade de conhecermos o perfil da segurança dos produtos que estão sendo oferecidos ao consumidor”, justifica Gomes.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez questão de ressaltar que o estudo não indica que todos os produtos estão contaminados, variando entre os Estados e as amostras. “A pesquisa alerta para que a população saiba que produtos estão mais seguros e para que os produtores sigam as boas práticas de plantio e as recomendações das autoridades sanitárias”, diz.

As amostras analisadas foram coletadas em supermercados dos Estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal. Em 2008, foram treinados agentes nos Estados de Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima visando a ampliação do programa. Os dez Estados treinados, mais São Paulo, participarão do PARA em 2009.

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Cuidados

Atenta à pesquisa, a nutricionista Adriane Gasparino Uribe dá dicas para minimizar os riscos de ingerir agrotóxico. “Não tem como ficar 100% livre porque ele penetra no alimento, mas alguns cuidados podem ser tomados. O primeiro é identificar de onde o produto vem. Outra dica é comprar alimentos orgânicos, que não utilizam produtos químicos”.

Uribe sugere atenção especial no preparo. “Lavar bem em água corrente, clorar os alimentos e retirar as cascas dos que têm mais agrotóxico. Cozinhá-los também minimiza os malefícios”. Não é sugerida a retirada de nenhum alimento da dieta, só em casos específicos. “Vários produtos têm agrotóxicos, mas nós precisamos dos nutrientes que eles oferecem. Só os imunodeprimidos é que devem suspender o consumo destes alimentos. Pacientes que com HIV ou que estejam fazendo quimioterapia estão neste grupo”, finaliza.