08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A guerra nossa de cada dia


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Desde os primórdios da humanidade, a guerra tem sido a principal arma de destruição de povos e culturas inteiras, tendo como munição um dos maiores cânceres da sociedade: a ganância aliada com a infeliz ideologia de superioridade que uns possuem em relação aos outros. A guerra é a criptonita do amor, da paz, da felicidade. A guerra é o adubo, a terra fértil para o surgimento do medo, do pânico, do caos. Contudo, não existem guerras apenas entre os povos, assim como existem diversas razões para as guerras.

Diariamente, cada um de nós declara uma nova guerra. Declarar guerras contra os ideais propostos pela sociedade é uma forma de nos libertar das regras e padrões que nos perseguem em todo lugar.

Vivemos numa interminável guerra chamada medo. Medo de sair de casa pela manhã e não saber se retornaremos vivos à noite. Medo que um pai de família possui de perder seu emprego e, dessa forma, não conseguir honrar seus compromissos e não poder oferecer para seus familiares o mínimo de conforto. Entretanto, um dos maiores medos é o de perder aquilo que realmente se ama. Perder um ente querido, um amigo, perder momentos únicos que não voltarão.

Fazemos guerras até mesmo contra nós mesmos. Abrimos fogo cada vez que agimos fora dos nossos princípios. Guerrilhamos para nos livrar de vícios, para ser superior aos nossos vizinhos, para sairmos vivos de uma selva de pedras.

Assim como em toda guerra, essas que são feitas por nós, e muitas vezes nem percebemos, também geram conseqüências tão catastróficas como às de uma bomba atômica. Famílias inteiras fragmentam-se devido à guerra de ideais entre os familiares. Muitas vezes, até mesmo entre pais e filhos explodem guerras, principalmente pelas divergências de idéias entre eles. Amizades são perdidas, vidas que poderiam ter um futuro próspero são encerradas precocemente. Entretanto, mesmo com tudo isso, ainda resta uma semente de esperança. Esperança de dias melhores, onde guerras não serão mais precisas, onde a paz, o amor e a liberdade comandarão as regras da sociedade. Até que isso aconteça é preciso esperar que essa semente germine num frio e infértil rolo de ganância, intrigas e ódio.

Flávio Futino Gondo - estudante