08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alerta Unimed Bauru


| Tempo de leitura: 3 min

Uma trajetória de tentativas, de erros e desencontros no atendimento a uma paciente de 81 anos entre Pronto-Socorro (PS) e UTI no período de 28/1/2009 até 4/2/2009, às 15h10, na UTI (quando faleceu). Apesar da sua luta para viver, a morte e a incompetência técnica de alguns profissionais entre médicos e equipe de enfermagem que a atendeu nesse período - ala clínica) venceram!

Nesse novo mundo, muitas vezes, desdenhamos do serviço público de saúde em prol do privado. Daí passamos a vida pagando uma assistência médica e, quando realmente precisamos, ela deixa muito a desejar. Diante disso, ficam aqui algumas indagações de uma simples filha acompanhante, leiga em assuntos médicos e de enfermagem, as quais se fossem feitas com veemência naquele período, essa trajetória poderia ter tido um final mais feliz. A morte traz desculpas? Sim! Mas negligências também podem acelerar essa grande passagem que todos teremos. Eis as indagações: Por que:

- Quando a paciente chegou no PS, com dores abdominais, o médico plantonista se limitou a fazer apenas um clister e sem uma investigação mais detalhada a mandou de volta para casa, mesmo com a dor?

- Quando ela retornou, com dor, a esse PS (considerado como retorno), fizeram alguns exames clínicos, um Raio X e esperaram abrir o setor de exames (às 8h) para fazer um ultrassom?

- Se não fosse questionado pela acompanhante, ela ficaria sujeita a uma fila de espera para um ultrassom do abdôme (depois trocado por uma tomografia), apesar do mesmo ter sido solicitado às 4h da manhã?

- Ela permaneceu no desconforto de um PS por mais de dez horas para então providenciarem a internação?

- O médico Rincan (pneumologista), embora estivesse como plantonista naquele hospital, não foi vê-la, conforme a solicitação do seu colega gastro, que percebeu a necessidade de um pneumologista para avaliá-la?

- Embora ela estivesse ofegante, as enfermeiras relatavam que ela estava tranqüila. Daí não havia necessidade de uma visita médica?

- Quando, na madrugada do dia 1.º de fevereiro, foi solicitado pela acompanhante que localizasse esse tal Rincan, uma enfermeira disse que não o localizou? Por onde ele andava enquanto plantonista daquele hospital? Será que se fosse a mãe dele o seu comportamento teria sido o mesmo?

- Às 2h da madrugada desse dia, embora ela apresentasse muito sangue nas fezes (melena), os 2 enfermeiros que foram medicá-la e fazer a sua higiene não deram importância e por isso nem se preocuparam em chamar um médico?

- Às 4h da manhã, quando ela apresentou novamente esse quadro, embora as duas enfermeiras ficassem preocupadas, não tomaram providência, o que vieram fazer somente por volta das 6h, quando esse quadro se repetiu pela terceira vez, mas por insistência da sua acompanhante. Por quê? Por quê?

Eu só queria o atendimento básico pelo qual ela pagava, ou seja, aplicar a lei da reciprocidade, o que, sob minha ótica, não aconteceu!!!

O objetivo desse artigo é para alertar aquelas pessoas que, se em algum momento passarem pela situação de paciente ou acompanhante naquele hospital, não cometam o mesmo erro que eu cometi, deixar-me contagiar pela simpatia da equipe de enfermagem das alas clínicas, porque isso pode mascarar uma incompetência técnica e falta de expertise para avaliar a gravidade da situação.

O pior é que esses funcionários, pela pouca experiência, nem sabem disso, pois no período que fiquei nessa ala (seria injusto criticar as demais que não conheço), não vi nenhum profissional de enfermagem mais velho, com o vinco da experiência no rosto para ensinar esses jovens profissionais sobre a brevidade da vida, principalmente quando se trata de uma pessoa idosa, que não tem tempo para aguardar o dia seguinte ou o procedimento seguinte!!! Apesar de nessa trajetória ter conhecido alguns médicos comprometidos e que valorizam a vida, deu para perceber que isso não é comportamento usual nesse hospital.

Aproveito para pedir perdão à minha mãe por ter ficado passivamente como uma leiga e crédula acompanhante. Mas, como tudo é um aprendizado, em outra situação pode ter certeza que poderei pecar por intromissão, mas nunca mais por omissão! Conclusão: assistência médica, lembre-se: uma morte a mais e um cliente a menos!!! Acordem!!!

Sueli Silva