09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Venda do comércio cresce pelo 2º mês

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo diante de um cenário de crise econômica, pelo segundo mês consecutivo as vendas do comércio varejista registraram crescimento no País e em Bauru. Considerando os dados com ajuste sazonal - que elimina características específicas de cada período, a alta foi de 1,5% em fevereiro sobre janeiro, puxada, principalmente, pelo mercado de automóveis. No primeiro mês do ano, o setor já havia comemorado um aumento de 1,4% no volume de vendas, após três meses seguidos de resultados negativos. Em março, o ritmo de vendas se manteve.

“Estamos em um processo de retomada da atividade econômica, claro que em níveis inferiores ao que seria esperado se não estivéssemos em um momento crítico como este. Mas o sentimento é de que o pior já passou”, avalia o economista Wagner Ismanhoto.

Mesmo em relação a fevereiro do ano passado, o volume de vendas foi 3,8% maior que o mesmo período de 2009. Nesta comparação, o setor de “hipermercados, supermercados, bebidas e fumo” deu a maior contribuição para o aumento, subindo 5,6%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As estatísticas nacionais, de acordo com Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), correspondem à realidade de Bauru. Embora não haja levantamento semelhante na cidade, ele argumenta que os resultados obtidos em fevereiro foram positivos, demonstrando que o comércio não sofreu grandes perdas e já dá sinais de que conseguirá retornar ao ritmo normal de vendas.

“É claro que alguns setores acabam conseguindo melhor desempenho do que os outros, isso faz parte da dinâmica própria de cada segmento dentro comércio. Mas a gente não vê lojas fechando as portas”, comenta ele. Na pesquisa do IBGE, o volume de vendas cresceu em sete dos dez grupos de atividades pesquisadas.

Desempenhos

O principal setor que puxou a alta global do comércio varejista, o de “veículos e motos, partes e peças”, teve um aumento de 4,6% nas vendas em fevereiro, impulsionado pela redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI). Anunciada pelo governo federal, a medida está em vigor desde dezembro do ano passado e foi prorrogada até junho de 2009, como forma de estimular a economia.

“Foi uma iniciativa que funcionou e o setor voltou a ficar aquecido. Tivemos vendas tão boas como no ano passado, que foi um ano excelente para o setor. E, no mesmo caminho, está o setor da construção civil, cujos insumos básicos também foram beneficiados com isenção de impostos”, observa Ismanhoto.

O segmento de “material de construção” aparece com o quarto melhor desempenho no levantamento do IBGE, com alta de 3,8% em relação a janeiro. Entre este e o setor automotivo, estão “outros artigos de uso pessoal e doméstico” (4,3%) e “equipamentos e material para escritório, informática e comunicação” (4,0%).

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Intenção de compra

Na zona sul, os estabelecimentos também observam o mesmo ritmo de comercialização de seus produtos. Mesmo que lento, o crescimento é comemorado pelo coordenador da setorial Asa Sul da Associação Comercial de Bauru (Acib), Evandro Manflin.

“Os efeitos da crise chegaram minimizados e a retração nas vendas foram pequenas, mas ainda positivas. O esperado era vender menos, mas estamos nos mantendo estáveis”, comenta. Para os próximos meses, a expectativa é de que os índices se tornem ainda mais positivos.

Manflin lembra que uma pesquisa, divulgada nesta semana pela Fundação Instituto de Administração (FIA), apontou que os consumidores pretendem comprar mais no segundo trimestre de 2009, em relação aos primeiros três meses deste ano. De acordo com o estudo, 27,6% dos entrevistados disseram que não pretendem adquirir itens de 10 segmentos do comércio pesquisados, sendo que, de janeiro a março, esse percentual era de 33,4%.

“Em abril, o comércio vai aquecer novamente, quando chegam os lançamentos e novidades. Não esperamos um crescimento significativo sobre o que tivemos no ano passado, mas também não teremos queda”, frisa.