08 de julho de 2026
Internacional

Chávez vetará declaração da Cúpula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Cumana - Apesar de a Venezuela já ter ratificado o documento final, o presidente Hugo Chávez afirmou ontem que, “junto com outros países”, vetará a declaração final da Cúpula das Américas, que começa hoje em Trinidad e Tobago. Insatisfeito com a ausência de Cuba do evento, ele também não teria concordado com o trecho que reconhece o “importante papel” da OEA (Organização dos Estados Americanos) para solução de divergências.

“Não temos grandes expectativas da Cúpula das Américas. Há uma declaração difícil de assimilar. Está totalmente deslocada no tempo e no espaço, como se o tempo não tivesse passado”, disse Chávez, em Cumaná (400 km a leste de Caracas), onde recebeu os colegas dos países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), além do paraguaio Fernando Lugo, que participou como convidado.

Chávez defendeu que a cúpula de Trinidad “deveria ser a última nesse formato”. Em tom agressivo contra os EUA, disse que “aqui na América há dois continentes, o norte e o sul’’.

O mandatário venezuelano voltou a defender o regime cubano - a falta de democracia na ilha foi a justificativa para suspender o país da OEA, em 1962. “Onde haverá mais democracia, nos EUA ou em Cuba? (...) Eu não tenho dúvidas, em Cuba há mais democracia.”

Já o presidente cubano, Raúl Castro, voltou a afirmar que seu país não quer voltar à OEA e disse que o organismo multilateral, criado durante a Guerra Fria sob a liderança dos EUA, “tem de desaparecer’’.

Participaram ainda do encontro os presidentes Evo Morales (Bolívia), Daniel Ortega (Nicarágua), Manuel Zelaya (Honduras) e o premiê de Dominica, Roosvelt Skerrit.

Dos que compareceram à cúpula da Alba, apenas Raúl não irá a Trinidad, por causa do status de Cuba na OEA.

O presidente venezuelano não especificou os pontos do texto dos quais discorda. Segundo fontes diplomáticas em Trinidad, Chávez não aceita o artigo 88 da declaração final, que diz: “Reconhecemos o importante papel da OEA na solução pacífica de nossas divergências e sua participação na promoção de uma cultura de democracia, paz diálogo e não-violência na região’’.

Caso a Venezuela ratifique sua posição em Trinidad, a cúpula deve ficar sem documento final, já que a declaração é tradicionalmente aprovada por consenso entre os 34 países.Nas duas cúpulas anteriores (Canadá-2001 e Argentina-2005), Chávez já havia ameaçado vetar as declarações finais, finalmente aprovadas com “reservas” de Caracas.

Líder do antiamericanismo na região, Chávez deve ter seu primeiro encontro pessoal amanhã com o Barack Obama, que estréia em cúpulas regionais. Já o venezuelano será o presidente há mais tempo no poder presente na cúpula: neste ano, completou dez anos ocupando o Palácio Miraflores.

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Obama diz esperar sinais de Havana

Washington - Ciente de que a questão cubana dominará boa parte de suas conversas na 5ª Cúpula das Américas, que começa hoje, Obama passou a bola para o campo do regime castrista. Foi uma tentativa de aliviar a pressão dos líderes latino-americanos pelo fim do embargo econômico imposto pelos EUA à ilha há 47 anos.

Em entrevista à CNN em espanhol, o presidente americano disse que cumpriu as promessas de campanha ao eliminar as restrições de envio de dinheiro, de viagem e de comunicações entre cubano-americanos e seus parentes em Cuba.

Agora, afirmou, os EUA esperam um sinal similar de distensão do governo dos irmãos Castro. Se isso acontecer, disse Obama, “poderemos ver um avanço no descongelamento das relações e mais mudanças’’. “Nós tomamos um importante primeiro passo”, disse Obama. “É sinal de que queremos ir além da mentalidade da Guerra Fria que existe há 50 anos.