11 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: Morre Oquendo Lopes, o ‘pai’ do Alfredão

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 2 min

O Noroeste perdeu, ontem, um dos grandes colaboradores de sua história. O engenheiro civil Oquendo Lopes, 89 anos, morreu, em Curitiba, de falência múltipla dos órgãos. Lopes foi o projetista e comandante da construção do atual estádio Alfredo de Castilho, que substituiu o antigo estádio, que tinha o mesmo nome e arquibancadas de madeiras, completamente danificado após incêndio, em 1958. Sob sua supervisão, em dois anos, o atual Alfredão foi erguido. A inauguração se deu em 5 de junho de 1960, em amistoso vencido pelo Noroeste contra o Palmeiras por 3 a 2.

“Ali era um barranco e ele (Lopes) teve a idéia de acertar e fazer concreto sobre aquele lado. Ele foi o responsável pelo projeto e execução”, conta o filho, Ricardo Lopes, sobre a época da construção do estádio, lembrando do grande legado deixado pelo pai e pela ferrovia ao clube e à cidade. “O que fica é a história da construção do estádio, que foi a ferrovia que construiu. Isso é uma lembrança grande”, considera. Ricardo frisa a paixão do pai pelo Norusca. “Ele era fanático pelo clube, fui até mascote do Noroeste. Ele não perdia um jogo”, diz.

Natural de São Manuel e formado na Universidade Federal de Curitiba, Lopes iniciou sua carreira em Três Lagoas-MS, em 1948. Além de ser o mentor do Alfredão, o engenheiro foi presidente do clube e o diretor que mais tempo permaneceu na Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. “Meu pai fez a carreira inteira dele dentro da ferrovia, ele teve só este emprego. Galgou todos os cargos dentro da antiga Noroeste. De 1969 até 1980 foi o superintendente aqui (Bauru)”, aponta Ricardo.

De acordo com o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, Oquendo Lopes, em sua gestão à frente da ferrovia, incrementou o transporte para a Bolívia e potencializou o comércio de mercadorias entre Brasil e o país vizinho. Lopes ainda instituiu o intercâmbio com engenheiros bolivianos, que vinham aprender técnicas na ferrovia brasileira. Na época, empresários de Bauru e região também chegaram a viajar para Bolívia para estudar investimentos.

Nos anos 80, já aposentado, Oquendo Lopes foi condecorado pelo governo boliviano pelos seus feitos à frente da Noroeste do Brasil. “Eu fui até La Paz com ele, que recebeu uma comenda do governo boliviano. Foi o ministro dos transportes de lá que fez a entrega”, recorda o filho, Ricardo.