O mundo da bola é mesmo muito curioso. Aquele que um dia tornou-se boleiro dificilmente consegue deixar esse mundo em definitivo. Bauru tem alguns exemplos de boleiros que algum dia atingiram o sucesso e seguem, até hoje, envolvidos com o futebol. É o caso de Edilson Barone, o Baroninho, e Reinaldo Felisbino, o Lela. Ambos jogadores de sucesso nas décadas de 70 e 80 e que hoje seguem carreiras semelhantes no futebol e se veem com um pé na semifinal do Campeonato Paulista de futebol.
Nem sempre a habilidade vem no DNA. Mas no caso de Lela, por exemplo, aconteceu. Ele é pai de Richarlysson, meio-campista do São Paulo, e de Alecssandro, atacante do Internacional, de Porto Alegre. Com Baroninho foi um pouco diferente. A habilidade não foi passada pelo DNA, mas seu faro para descobrir talentos do futebol fez ele ser contemplado com um genro jogador, e dos bons. O mineiro Cristian, meio-campista do Corinthians foi descoberto por Baroninho em 2001, que trouxe o garoto de Belo Horizonte para treinar em sua escolinha de futebol (Baroninho Gol), antes instalada no Jardim Europa, em Bauru. Daquele ano em diante, o menino se profissionalizou e acabou “se engraçando” com Camila, a filha do professor.
Lela e Baroninho falaram ao Jornal da Cidade sobre o momento e o início de seus pupilos, que coincidentemente colocam Bauru no duelo deste domingo por uma vaga na final do Paulistão.
Campeão Brasileiro de 1985 pelo Coritiba, Lela, atual treinador do Agudos, conta como Richarlysson começou a se destacar no futebol. “Eu sempre digo para os rapazes que todo começo é difícil. O Richarlysson começou no Vitória da Bahia onde foi fazer um teste por indicação do irmão mais velho que lá jogava. Depois teve uma passagem pelo Ituano, jogou no Santo André e foi para o futebol da Áustria. Então, o começo da carreira é sempre difícil. O importante é não desanimar, porque hoje ele conseguiu se destacar e está no São Paulo”, comemora o pai do são-paulino.
“Quando eu jogava, eu sempre levava os meninos (Richarlysson e Alecssandro) ao campo. Eles cresceram nesse mundo, mas eu sempre deixei eles escolherem o que queriam. E acho que escolheram bem. Ser jogador de futebol é uma das melhores profissões que existe”, ressalta Lela.
Com Cristian, o começo não foi diferente. Baroninho, atualmente técnico das categorias de base do Santo André, conheceu o corintiano ainda adolescente e o encaminhou para o profissionalismo. “O Cristian é como um filho para mim. Eu o conheci quando ele tinha 16 anos e fomos com o time da escolinha (Baroninho Gol) disputar um campeonato na Itália, em 2001. Ele já estava por outra equipe, gostei do futebol dele e trouxe o Cristian para treinar comigo. Mais para frente, levei ele para o Paulista de Jundiaí, onde foi campeão da Copa do Brasil com o (Vágner) Mancini. Depois ele foi para o Atlético Paranaense, foi campeão paranaense, depois jogou no Flamengo, onde foi campeão da Taça Guanabara. Agora está no Corinthians jogando esse futebol todo, onde ainda não perdeu nenhum jogo”, vibra o “pai” e sogro do jogador que marcou o segundo gol do Corinthians, no último domingo.
Do alto da experiência de ter sido campeão mundial de clubes pelo Flamengo, em 1981 – sem contar Libertadores e Carioca -, Baroninho revela que, embora Cristian venha tendo sucesso no Corinthians, prefere quando seu genro jogava mais avançado. “Não gosto da forma que o Mano escala ele no Corinthians, como volante. Eu gostava de como ele jogava no Paulista e no Atlético Paranaense, quando jogava mais avançado e marcava mais gols. Mas cada treinador tem uma filosofia, vamos respeitar o Mano”, comenta o exigente professor. Cristian casou-se com Camila, a filha do “homem” em 2005. O casal tem dois filhos. E o avô Baroninho alerta para uma promessa. “O Cristian Júnior, filho de Cristian e Camila, será o novo Van Basten (melhor jogador da Fifa em 1992, atacante do Ajax e do Milan). Com apenas oito meses ele já treina com a bolinha de borracha e bate bem de cabeça”, prevê o avô.
Hoje, Cristian e Richarlysson estarão frente a frente, no Moumbi, disputando a vaga na grande final do Estado de São Paulo. Cada um com uma camisa diferente lutando pelo mesmo desejo. Os bauruenses Lela e Baroninho, também em lados opostos, acompanharão os pupilos de perto. Ao menos, um bauruense sairá vencedor.