09 de julho de 2026
Regional

Índios contemporâneos da região serão bilingües

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A comunidade indígena de Avaí (39 quilômetros de Bauru) comemora hoje mais um Dia do Índio. Os festejos tiveram início na sexta-feira em algumas aldeias. Porém, o índio espera avanços na área de educação para cumprir a Constituição que prevê igualdade para todos os brasileiros. As quatro aldeias da região lutam para conquistar o direito de ter na grade curricular das escolas, o aprendizado da língua inglesa e, com isso, colocar os jovens índios na universidade.

A previsão do ensino da língua inglesa nas escolas indígenas já foi feita no papel, está na resolução nº 3 do Conselho Nacional de Educação. Porém, do papel à prática ainda há um longo caminho a trilhar. Os professores indígenas não “captaram” as lições e não estão preparados a ensinar.

O assunto é tão preocupante que, já foi discutido com as aldeias e está agendado para ser levado à Conferência Regional que deve acontecer em Curitiba, explica a chefe do setor de Educação da Fundação Nacional do Índio(Funai) de Bauru, pedagoga Ivanilde Pereira.

Burocracia à parte, o ensino da língua inglesa nas escolas das aldeias vai tornar o índio bilingüe, por saber o português e mais uma língua estrangeira. Para o cacique Anildo Lulu da aldeia Tereguá, o ensino vai possibilitar a igualdade do povo indígena na disputa por uma vaga no ensino superior. “Precisamos ter doutores, na área médica, enfermeiros e em todas as áreas. Profissionais que entendam a nossa língua e respeitem a nossa cultura.”

Segundo o cacique, existem 36 aldeias no Estado de São Paulo e em todas elas será inserida a matéria. “Além do português, matemática, ciência, geografia, eles vão aprender mais uma língua.”

Para Lulu, o importante é manter a tradição indígena e conquistar nossos espaços. “O meu povo fala fluentemente o português, o tupi-guarani e terena, e, no futuro, vão falar inglês. São jovens de 12 a 14 anos que estão cursando o 2o ciclo que engloba a 4ª, 5ª e 6ª séries.”

Na aldeia Tereguá, de acordo com o cacique, são 130 índios entre homens, mulheres e crianças. “Nessa faixa etária são 34.” Para o vice-diretor da escola da aldeia Ekeruá, Alício Lipu, o ensino da língua inglesa vai possibilitar o acesso dos jovens índios na comunidade. Motivo de alegria, mas de bastante preocupação. “Queremos índios com formação superior, porém ao sair da aldeia para estudar, eles correm o risco de serem ‘contaminados’ com a cultura não índigena.”

Há pouco tempo, segundo ele, situação que mostrava um futuro pautado pela urbanização do índio, obrigou a comunidade a tomar atitudes junto às autoridades. “O ensino indígena foi diferenciado para que os jovens não tenham que sair do meio em que vivem. Observamos que, aqueles que estudavam nas escolas da cidade, estavam mudando de hábitos alimentares e no vestir. A saída foi montar escolas nas aldeias e inserir a cultura na grade curricular.”

De acordo com ele, 16 adolescentes, que cursam o ciclo III da escola, já estão estudando inglês. A professora indígena dá noções básicas, até receber mais instruções. “As aulas começaram este ano. O nosso cacique aposta que será melhor para eles aprenderem mais uma língua.”