Um boato sobre o possível fechamento da Escola Estadual Professora Marta Aparecida Hjertquist Barbosa, o Caic, na Vila Nova Esperança, levou cerca de 60 pais de alunos para a frente da instituição, na tarde de ontem, em protesto. Durante cerca de uma hora, com um carro de som, pais, professores e estudantes que portavam cartazes confeccionados dentro das salas de aula se posicionaram contra os murmúrios do fim da escola.
A instituição foi criada há 15 anos e atualmente atende 1.800 alunos do ensino fundamental I (de 1ª a 4ª série) e II (de 5ª a 8ª série) e do ensino médio das telesalas. A diretora da escola, Ana Cristina Roa Gonzaga de Lima, ressalta que não foi informada oficialmente sobre o fechamento da instituição. “Chegou aos meus ouvidos de que a escola seria fechada para a instalação de um Centro de Esporte, Lazer e Cultura e também que seria municipalizada. Não soube de nada oficial. Foram boatos de pais de alunos e vereadores amigos”, conta. “Não há motivo para a municipalização ou o fechamento. Temos uma equipe capacitada e bons resultados”, acrescenta.
Ana Cristina informou que entrou em contato com o prefeito Rodrigo Agostinho e o aguardava na instituição para esclarecer o fato. Mas ele não compareceu.
Voluntária da escola e mãe de três estudantes, dois da 3ª série e um da 6ª série, Aparecida de Fátima afirma que não sabe como vai fazer se a instituição fechar as portas. “Aqui o ensino é ótimo. Tem qualidade, os professores são bons. Se fechar, nós pais teremos que mandar nossos filhos para escolas em bairros vizinhos. Não sei como vou fazer”, afirma.
Para Osmar Brito, pai de um aluno da 4ª série e membro do Comitê de Luta pela Educação Pública de Qualidade, a região da Vila Nova Esperança precisa de um local para entretenimento, mas deve ser instalado em outro local. “Não somos contra o espaço de lazer, mas deve ser feito em outro lugar. Não há necessidade de desativar uma escola para isso”, afirma.
O prédio onde a Escola Estadual Professora Marta Aparecida Hjertquist Barbosa está localizada pertence à União - a construção é parte do programa do Centro de Atenção Integrada à Criança e o Adolescente (Caic) do Governo Federal. O prédio foi emprestado ao Estado, para o funcionamento da instituição de ensino. O terreno onde a escola está instalada pertence ao município. O fato de ser “filha de três pais”, ocasionou os boatos.
Segundo Paulo Maximino, dirigente regional de ensino em exercício em Bauru, o Estado também não foi informado sobre o fechamento da escola. “Pela imprensa, fiquei sabendo que o prédio do Caic vai ser repassado pela União ao Município. Essa é a única mudança e deve ocorrer não só em Bauru, mas em todo o Brasil. A escola deve continuar funcionando normalmente”, tranquiliza.
A assessoria de imprensa da Prefeitura confirmou a informação de que o prédio do Caic, que pertence ao Governo Federal, será repassado à administração municipal, mas a mudança ainda não tem data definida. Sobre o fechamento da escola, a assessoria revela que não há nenhum projeto para isso.