08 de julho de 2026
Internacional

Equatorianos devem reeleger Correa


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Caracas - O presidente Rafael Correa deve confirmar hoje nas urnas a sua hegemonia política no Equador com uma tranqüila reeleição ainda no primeiro turno, aparentemente encerrando uma década de grande instabilidade política no país.

A maioria das pesquisas garante a vitória do líder de esquerda com uma votação em torno de 50%, suficiente para conseguir mais quatro anos de mandato sem necessidade de ir ao segundo turno. Pela lei equatoriana, um candidato é declarado vitorioso caso obtenha ao menos 40% de apoio, com uma distância superior a dez pontos percentuais sobre o adversário mais próximo.

Convocadas após a aprovação da nova Constituição, as eleições também renovarão governadores e prefeitos, entre outros cargos, “zerando’’ todo os postos eletivos do país. Essa fórmula é bastante semelhante à adotada pela Venezuela de Hugo Chávez e pela Bolívia de Evo Morales.

Ainda que Correa não deva repetir a alta porcentagem de recentes vitórias eleitorais (a Constituição, apoiada por ele, foi aprovada por 64% num referendo em setembro), nenhum candidato opositor chegou a ameaçá-lo na campanha.

Caso confirme o favoritismo, o economista de 46 anos tem direito de disputar mais uma reeleição em 2013 - mecanismo criado pela nova Carta. Assim, poderá governar até 2017, ficando dez anos no poder.

Já o segundo colocado nas pesquisas, o ex-presidente Lucio Gutiérrez (Sociedade Patriótica, centro) deve assegurar o seu reduto eleitoral nas pouco povoadas Províncias amazônicas e fazer a segunda bancada na Assembléia.

Sem fôlego, o excêntrico megamilionário Álvaro Noboa, terceiro colocado, é praticamente um figurante na sua quarta candidatura. Uma grande diferença em relação a 2006, quando venceu o primeiro turno, mas acabou derrotado por Correa na segunda etapa.

A popularidade e a estabilidade de Correa após pouco mais de dois anos no cargo parecem encerrar anos de crise institucional. Os três presidentes eleitos anteriores a ele foram forçados a deixar o poder antes do final do mandato, sempre em meio a manifestações e intervenção militar.

“Correa vendeu a idéia de um personagem de fora da política, jovem, com grande ênfase no social, na reforma institucional. Por outro lado, os partidos políticos tradicionais estão num momento de grande enfraquecimento, sem contato com a sociedade civil’’, avalia Marco Arauz, subdiretor do jornal “El Comercio’’, no qual também é colunista político.

Para o economista Marco Romero, da Universidade Andina Simon Bolivar (Quito), o sucesso de Correa está ligado também à bonança petroleira dos últimos dois anos, que lhe permitiu expandir o gasto em programas sociais e investimentos públicos.

Mas a crise econômica, diz ele, deve impedir a implementação de alguns direitos previstos na nova Constituição, como o ensino superior gratuito universal e a ampliação do seguro-desemprego. “A crise já começa a se manifestar. Mas acho que isso será sentido com mais força no segundo semestre deste ano’’, prevê Romero.