O Congresso Nacional ficou com sua imagem ainda mais desgastada pela repercussão do descontrole no uso da cota de passagens aéreas. Nesta semana, uma resolução do presidente da Casa, o deputado Michel Temer (PMDB), deve ser votada no plenário para tentar pôr fim à crise das passagens aéreas. A utilização de bilhetes aéreos pertencentes à cota do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB) foi assunto, ontem, na sede do PTB.
Marquezelli diz que pessoas desconhecidas viajaram do Rio para Paris em agosto de 2007 com suas passagens aéreas. Os tíquetes de viagem foram emitidas em nome dos Leroy -Luana, Luma e Robert, com data de 2 de agosto de 2007. Só que o deputado petebista alega que fez apenas seis viagens para o Exterior, pagas com milhagem aérea e o valor completado com recursos próprios. No entanto, foi divulgado por um site de cobertura da atuação dos congressistas que o petebista fez ao todo nove viagens internacionais.
Marquezelli já requereu à direção da Casa informações, que uma sindicância e encaminhou um pedido para a Polícia Federal para localizar as pessoas no Brasil. Essas medidas visam rastrear quem comercializou as passagens e quem lançou na cota do deputado. “Eu não vendi, meu gabinete, provavelmente, não. Da TAM, eu acho que não. Ou pode ter vendido da própria direção da Câmara”, ressalta. O deputado pretende a devolução do dinheiro público com atualização monetária e providências contra os responsáveis.
Ele acredita que a resolução que disciplina o uso das passagens será aprovada por unanimidade pelo plenário. A proposta deve ser colocada em votação nesta terça-feira. Para ele, a passagem aérea deve ser utilizada apenas a trabalho.
Marquezelli explica que, após a regulamentação do transporte no Legislativo, será a vez de regular outros Poderes. Ele cita que o Executivo gastou no ano passado R$ 600 milhões com transporte, o Judiciário R$ 220 milhões, Forças Armadas e Tribunais de Contas gastaram juntos mais de R$ 180 milhões e o Senado e a Câmara Federal gastaram juntos R$ 80 milhões. “Primeiros vamos regulamentar o nosso transporte e depois de outros órgãos”, ressalta.
Inclusive a imprensa está na mira dos deputados que pretendem proibir o uso das passagens ofertadas pelo poder público. “Grande parte da mídia e da imprensa brasileira viaja a custas ou do poder municipal, ou do estadual ou federal”, lembra.
Sacanagem
Marquezelli entende que precisa se dar um basta no empréstimo de servidores públicos entre órgãos da administração pública. “Comissionamento é uma grande sacanagem. Temos que acabar com o comissionamento público nesse País”, avalia. Para o deputado, não se pode tolerar, por exemplo, que uma pessoa passe em um concurso para trabalhar em um órgão e, pouco tempo depois, vá trabalhar em outro. “E muitos deles não trabalham”, salienta.
Na condição de Quarto-secretário da Câmara Federal, Marquezelli diz que o Legislativo tem que cortar na própria carne. Ele explica que começou a fazer uma reforma administrativa na Quarta-secretaria. Pôs fim ao interurbano e demitiu três motoristas, mantendo apenas um profissional. Ele comenta que nos meses de novembro e dezembro o órgão, da Mesa Diretora, gastou cerca de R$ 2 mil com conta de telefone. A conta já baixou para R$ 900,00.