Um currículo repleto de habilidades técnicas e certificados de conclusão de graduação e pós-graduação é pouco para conseguir um emprego. As empresas procuram, cada vez mais, profissionais com um perfil comportamental compatível com seus objetivos. De olho nesta tendência, empresas de recursos humanos têm priorizado a seleção por competências, ou seja, um processo seletivo com três pilares: conhecimento, habilidades e atitudes.
A Consultoria em Gestão de Pessoas Avante & Lobato realiza esse tipo de seleção em Bauru. Lucila Lobato, psicóloga e proprietária da empresa, explica como funciona.
“Primeiro criamos o perfil da vaga, ou seja, junto com a empresa identificamos as competências técnicas e comportamentais necessárias para o serviço. Depois começamos a seleção com uma entrevista comportamental com os candidatos e, em seguida, realizamos jogos com foco em competências. Dentre as ferramentas utilizadas estão jogos, dinâmicas e testes”, diz.
O processo seletivo dura no mínimo sete dias. Siméia Avante, também psicóloga e proprietária da empresa, diz que há alguns mitos a serem superados quando se fala em seleção por competências.
“Muitas pessoas ainda têm o pensamento de que é um serviço caro, extremamente demorado e trabalhoso. Acredito que o preço seja compatível com o mercado. Realmente demanda trabalho e tempo, mas nada que nos atrapalhe a cumprir as expectativas da empresa que contrata o serviço de seleção”, afirma.
Método
O método foi criado na década de 70 e popularizado pelo norte-americano Paul Green, da empresa Behavioral Technology. Seu sucesso deveu-se, em boa parte, à sua capacidade assertiva.
“Podemos mensurar matematicamente as competências dos candidatos, o que torna o processo mais objetivo e reduz a influência de pressupostos por parte dos selecionadores. Além disso, por ser uma análise completa do profissional, as chances de encontrar a pessoa ideal para a vaga é muito maior, o que reduz custos para a empresa”, explica Avante.
A investigação das competências dos candidatos baseia-se na premissa de que o comportamento passado prediz o comportamento futuro, ou seja, o relato de experiências demonstra as habilidades do indivíduo. Na entrevista, as psicólogas procuram perceber se as atitudes dos indivíduos são compatíveis com o perfil da vaga.
“O candidato vem com a intenção de agradar e se mostrar como perfeito para o cargo. Para isso, muitos acabam retratando situações ideais e não as que eles viveram. No entanto, durante a entrevista comportamental, ao utilizarmos as técnicas, fica muito claro se ele está mentindo ou não”, revela Avante.
Embora as competências sejam específicas para cada tipo de emprego, as psicólogas fazem uma lista das características essenciais para um profissional com alto nível de desempenho. Dentre elas estão pró-atividade, visão estratégica, iniciativa, organização, bom gerenciamento do tempo, planejamento, ser comunicativo, ter autoconhecimento e bom relacionamento interpessoal.
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O mercado
A busca das empresas por um funcionário que concilie conhecimento técnico e habilidade social surgiu, principalmente, em função do trabalho em grupo. Os gestores de negócios perceberam que não adianta ter um especialista se ele não sabe se relacionar bem com os companheiros.
A psicóloga Siméia Avante expõe o ponto de vista de seus clientes externos. “As empresas estão se cansando de encontrar profissionais bons tecnicamente, mas que dentro do convívio não têm bom desempenho. A intenção ao levar em consideração o perfil comportamental, além de encontrar o candidato ideal para a vaga, é minimizar conflitos internos”, afirma.
Lucila Lobato frisa a importância dos empregadores manterem esses profissionais diferenciados após a contratação. “As empresas devem estar atentas para reter estes talentos, pois se eles não estão satisfeitos, a tendência é ir embora. Devem ser oferecidos planos de carreira, treinamentos e tudo o mais que for necessário para que exista um ambiente de trabalho agradável”, expõe.
Com o acesso ao conhecimento facilitado, as psicólogas acreditam que o diferencial está no autoconhecimento e no desenvolvimento das competências pessoais. Avante ainda faz um alerta. “As pessoas ainda não perceberam que vagas de emprego existem e profissionais disponíveis no mercado também. O que falta são pessoas que se diferenciem. Está difícil encontrar a pessoa certa para o lugar certo. Este diferencial, com certeza, está na questão comportamental”, finaliza.