Existem muitas profissões, muitas facetas profissionais, assim como existem pessoas dos mais variados matizes a servir e a comandar os que servem. Conheci, ao longo da minha vida, muita gente boa, assim como também muita gente ruim. Em todas as atividades e profissões, existem disparidades, às vezes, incomensuráveis. Afinal, no jardim as flores são desiguais para fazer a rosa sobressair-se. É a lei da natureza. No campo humano, também existem aqueles que se sobressaem e se elevam à custa do trabalho cotidiano bem desempenhado, construindo a sua história a cada dia, para gáudio daqueles que lhe são próximos.
J. J. Cardia foi um desses apaixonados pela profissão que abraçou. Como policial - delegado de polícia de escol - talvez tenha sido um dos melhores profissionais que conhecemos na praticidade dos atos investigatórios e até mesmo administrativos. Tinha um quê a mais para desvendar crimes. E conhecia toda a bandidagem, que o respeitava como ninguém. Cardia também ajudou muita gente. Era difícil ouvi-lo dizer um não a quem solicitasse a sua ajuda ou os seus préstimos. Ultimamente sofreu muito. Mas soube granjear um sem número de bons amigos e companheiros que não lhe faltaram antes e na despedida. Enfim, Cardia partiu. Atrás de seu corpo, as sirenes das viaturas soaram em comovente despedida com muita gente de sentimento deixando escorrer lágrimas abundantes.
Agora, só nos resta pedir a Deus que ampare o seu espírito, palmilhando-lhe a estrada celeste que há de percorrer, assim como nós, um dia. A família policial civil de Bauru e região está enlutada, triste e pasma ante perda tão irreparável, muito embora o pranteado já estivesse aposentado. À família restou o sofrimento com a ausência de seu querido chefe. Filho, pai e avô amantíssimo, J. J. Cardia deixa um vazio imenso. Embora a sua passagem tenha sido recentíssima (ontem), a saudade já começa a bater de mansinho no peito daqueles que lhe queriam bem.
Só nos resta, agora, pedir proteção para a família enlutada, principalmente para a Bira e os filhos Hudson, Gleiner e Fred William. Adeus, J.J. Cardia, que Deus ampare e proteja a tua elevação espiritual.
O autor, Abel Fernando Marques Abreu, é advogado e delegado de polícia aposentado