11 de julho de 2026
Cultura

‘Batalha de Arroz’ ganha montagem na Argentina

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Prova de que o humor de qualidade é universal e de que Mauro Rasi foi um autor sem barreiras de tempo ou língua: em 15 de maio, estréia em Buenos Aires, na Argentina, uma nova montagem da peça “Batalha de Arroz num Ringue para Dois”. A família do escritor e dramaturgo bauruense, morto em 2003, vem acompanhando de perto a produção.

O espetáculo, que fez sucesso no Brasil, nas décadas de 1980 e 90, com Miguel Falabella e Cláudia Jimenez (substituída depois por Cláudia Raia), não foi nem mesmo adaptado para a nova montagem. Assim como o título - “Batalla de Arroz en un Ring para Dos” -, o texto foi apenas traduzido para o espanhol.

“Começamos a negociar com a produtora argentina em dezembro. Em janeiro, fechamos o acordo e desde fevereiro, eles estão produzindo a peça e ensaiando”, comenta Ubirajara Baptista Filho, cunhado de Rasi e responsável pelos direitos das obras do escritor, ao lado da esposa, Dinéia Rasi. Eles pretendem viajar a Buenos Aires para a estréia do espetáculo.

“Batalla de Arroz en un Ring para Dos” tem os atores Monica Salvador e Nacho Gadano como o casal Angela e Nélio. A direção é de Alejandro Ullua e a peça estréia no Teatro Petit Tabaris, na avenida Corrientes.

Segundo Baptista Filho, essa não é a primeira vez que um texto do bauruense é levado ao Exterior. “Pérola”, rebatizada de “Perla”, teve temporadas bem-sucedidas na Argentina e foi levada à Espanha, com a premiada atriz Carmen Maura como protagonista.

“Batalha de Arroz num Ringue para Dois” foi escrita por Mauro Rasi em 1984 para Miguel Falabella e Cláudia Jimenez. Como a atriz não pôde assumir o papel na época, a estréia do texto, no Rio de Janeiro, tinha Falabella e Bia Nunes no palco. Jimenez encarnou Ângela na segunda montagem.

O espetáculo apresenta quatro esquetes sobre o casamento: as bodas, quando tudo são flores; depois, as “bodas do ciúme”, quando a relação começa a azedar; as “bodas da egolatria”, de Nélio, as “bodas da supressão”, na qual a pobre Ângela se destrambelha; e, por fim, as “bodas da paixão”, quando o casal se reconcilia.

Há alguns anos, o texto foi apresentado por Falabella para a direção da Rede Globo, com a intenção de transformar as esquetes em uma série de humor, estrelada por ele e por Cláudia Jimenez, mas o projeto não vingou.

Mauro Rasi morreu em abril de 2003, vítima de câncer no pulmão. Ele era amigo de Falabella, com quem praticamente inaugurou, no Rio de Janeiro, um estilo de espetáculo com esquetes, nos anos 1980, batizado de teatro-besteirol. Uma de suas últimas aparições públicas, já bastante debilitado, foi na re-estréia de “Batalha de Arroz”, em fevereiro de 2003.

Casa onde Rasi viveu pode ser centro cultural

A casa onde o dramaturgo Mauro Rasi viveu sua infância e adolescência, na quadra 11 da rua Bandeirantes, Centro de Bauru, segue fechada. Até o ano passado, a família projetava criar, no local, a Fundação Mauro Rasi, que funcionaria como um núcleo de atividades teatrais e também de preservação da história do escritor bauruense.

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Condepac) apresentou pedido de tombamento do sobrado dos pais de Mauro, Oswaldo e Pérola Rasi, em 2003, mesmo ano da morte do escritor. O objetivo do órgão não seria apenas preservar a estrutura do imóvel, construído na década de 1940, mas também utilizá-lo como espaço cultural.

No ano passado, o Condepac chegou a encaminhar à Prefeitura de Bauru a decisão pelo tombamento e o pedido de desapropriação do sobrado. Porém, o ex-prefeito Tuga Angerami alegou que não havia recursos para a compra da casa e arquivou o processo.

A família de Rasi já afirmou que o tombamento impossibilitaria reformas necessárias no sobrado.

Segundo o Condepac, o tombamento não significa a transmissão da propriedade para o Município, ou seja, os proprietários podem dar ao prédio a utilização que desejarem, desde que não seja desfigurado ou demolido.