Não se morre de saudades... vive-se de saudades! Quem vive sente saudades. Saudade que mutila, que despedaça o coração. A pior das saudades é aquela que sentimos quando olhávamos no espelho e víamos refletido nele uma figura digna de alguém sentir saudades.
Agora, o espelho é apenas um objeto decorativo, onde o enfrentamos quando nos barbeamos ou lavamos o rosto. O tempo e as saudades caminham juntos. Sem tempo não existe saudades. Quem não tem saudades, não passou pelo tempo. A pior saudade, também, é aquela da adolescência quando víamos o sol nascer de manhã com todo o seu esplendor e achávamos tudo tão natural. Não tínhamos saudades. Agora, sentimos saudades de na época não termos saudades. Quem vive sente saudades. Quem morre deixa saudades. A saudade é implacável.
E não adianta ir para qualquer lugar no mundo. Sempre se sente saudades. Saudades de crescer, para se ter o primeiro amor. Saudades de acreditar nele. Saudades até da decepção que tivemos quando desacreditamos e esquecemos o primeiro amor.
Depois vem outro, que também acreditamos... Mas já sabemos que vai deixar saudades. Basta dar tempo ao tempo. É por isso que o tempo e saudades sempre caminham juntos. Com o tempo cada amor deixa saudades. O esquecimento não combina com saudades. A saudade nunca cai no esquecimento. Esquecemos até da morte de nossos entes queridos. O tempo esquece a morte, mas a saudade nunca é esquecida pelo tempo.
Viver, crescer, ter saudades e morrer. Morrer, é o único jeito de não sentir saudades... ou não?!... Como disse, ninguém morre de saudades..., mas feliz aquele que ao morrer deixa saudades, mesmo que seja só por algum tempo.
Luis Carlos Pasquarelo