10 de julho de 2026
Geral

Bauru tem o projeto, mas falta dinheiro para câmeras

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru, finalmente, possui o projeto de videomonitoramento a custo zero para a Prefeitura de Bauru e conta com o aval da Polícia Militar (PM) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Entretanto, a proposta, avaliada em mais de R$ 6 milhões para o projeto completo, esbarra na falta de dinheiro do poder público municipal para tocar a proposta. Até mesmo o videomonitoramento restrito à região central, no valor de mais de R$ 1,9 milhão, não conta com recursos para implantação.

Recentemente, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) recebeu uma negativa de cadastramento da cidade para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça. De acordo com Rodrigo, o pleito de Bauru foi rejeitado em Brasília porque a cidade tem baixos índices de violência comparando-se com regiões metropolitanas, locais com altos índices de criminalidade e áreas de fronteira. “Vamos ver se, agora, tendo o projeto, a gente consegue entrar na prioridade”, explica. Rodrigo revelou que, atualmente, tem algumas opções em recursos próprios para tirar o videomonitoramento do papel. Sugeriu que pode mandar um projeto de lei para a Câmara, mesmo não havendo previsão dos recursos no Orçamento deste ano. “Uma das opções é utilizar parte do recurso da venda da folha de pagamento”, sugere.

Ele explicou que, na quarta-feira visitará o Palácio dos Bandeirantes. No rol de demandas do peemedebista ao governo estadual estará a busca de recursos para o projeto de segurança com câmeras. No entanto, em um ranking de 36 municípios que o Estado criou, Bauru só aparece na 30º colocação, pelos baixos índices de criminalidade.

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Domingos Malandrino, e o prefeito ouviram atentamente, ontem, a apresentação do projeto criado pela empresa especializada Eyesnwhere - Sistemas Inteligentes de Imagens. A Polícia Militar em Bauru definiu os lugares de instalação das câmeras.

O projeto de videomonitoramento é flexível, podendo ser implementado em três fases distintas com expansão de 25 câmeras, inicialmente, para um total de 103 máquinas. A primeira fase privilegia a região central com destaque para o Calçadão da Batista, que receberia 11 câmeras de um total de 25. A primeira etapa custaria R$ 1,9 milhão, incluindo a instalação de antenas pela cidade, uma Central de Monitoramento instalada na sede do Comando de Polícia do Interior (CPI-4) e manutenção pela empresa durante dois anos. As imagens captadas pelas câmeras no Calçadão seriam transmitidas por fibra óptica a uma antena na praça Machado de Mello, que retransmitiria via rádio o sinal para a Central. As outras 14 câmeras estariam conectadas em uma rede de sinal de rádio para transmissão até a Central. A segunda etapa expandiria o número de pontos monitorados com mais 13 câmeras espalhadas em locais próximos ao Centro da cidade. Essa etapa demandaria o investimento de mais R$ 1,088 milhão. Com o investimento na 3ª etapa, o custo total passaria dos R$ 6,4 milhões.

O diretor de produtos e projetos da Eyesnwhere, coronel Alcides Eduardo de Lazari, citou que o sistema via rádio possibilita a mudança da posição das câmeras. Empresas podem adquirir e instalar câmeras na suas áreas externas e conectá-las à Central de Monitoramento. As câmeras instaladas no Calçadão têm sistema de aproximação de imagem (zoom) dimensionado para alcance em espaço mais fechado. As instaladas em outros pontos buscam imagens a até 1 quilômetro de distância.

A empresa tem sede no município de Moema, onde é feito o desenvolvimento técnico dos sistemas. Em Manaus, a Eyesnwhere opera uma rede de 300 quilômetros de fibras ópticas em ruas interligando um sistema com 238 câmeras digitais adquirido pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas.

Troca

Em média, o sistema de monitoramento substitui seis policiais militares, que passariam a trabalhar na Central de Monitoramento. O tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4º BPMI, comentou que, atualmente, a central 190 da PM recebe cerca de 850 ligações diárias que geram 150 envios de viaturas para atender chamados nem sempre relacionados com a atividade fim da PM. Ele comentou que o sistema de monitoramento por câmeras implantado no município de Itapetininga, com 120 mil habitantes, fez cair drasticamente o índice de criminalidade.

Rodrigo disse que outras empresas do setor de videomonitoramento seriam consultadas. A Eyesnwhere doou o projeto de videomonitoramento para o Ciesp, que o repassará para a Prefeitura de Bauru. A apresentação foi acompanhada também pelo secretário de Desenvolvimento Econômico Antonio Mondelli Júnior, o Nico.