O impasse nas negociações entre os ferroviários e a América Latina Logística (ALL) pode ocasionar a paralisação dos trabalhadores do setor. Ontem, representantes de sindicatos de três Estados se reuniram em Bauru para discutir o cumprimento do acordo coletivo 2007/2008, que estabelece reajuste de salário de 6,48%, porcentagem baseada na inflação, com data-base de janeiro deste ano.
Segundo Francisco Aparecido Felício, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Empresas Ferroviárias Paulista, a ALL apresentou proposta de 0% de reajuste, aumento da jornada de trabalho e aplicação do banco de horas. “Desde o início das negociações, a empresa se recusa a entrar em um acordo. As reuniões não prosperam, pois ela não apresenta proposta de reajuste e não apresentou resposta a pauta de reivindicação”, afirma.
“A última posição da empresa foi apresentar uma minuta de acordo coletivo que não contempla reajuste de salário. Contempla, sim, tentar solucionar um problema jurídico que ela tem em relação aos maquinistas que fazem escala de revezamento. Ela impõe a eles uma jornada de trabalho de oito horas”, acrescenta Felício.
A ALL, através da assessoria de imprensa, informa que mantém negociação com o Sindicato dos Ferroviários para acordos de reajustes salariais desde dezembro de 2008. “Em nenhum momento a empresa se opôs a negociar e ofereceu diversas formas de reajustes para que todos os colaboradores fossem contemplados”, diz a nota.
A empresa ressalta, ainda, que mesmo com a crise econômica mundial, a ALL mantém o nível de emprego, não havendo demissões. No dia 11, haverá uma nova reunião, em Araraquara, na tentativa de um acordo entre ambos os lados. “Se não houver acordo, não temos alternativa que não seja a paralisação, infelizmente”, finaliza Felício.