09 de julho de 2026
Nacional

Retração na economia devido à crise eleva endividamento do País

Folhapress
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Brasília - A desaceleração da economia provocou uma deterioração em um dos indicadores mais importantes do endividamento do setor público, a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, segundo o Banco Central, essa proporção se elevou em 0,6 ponto percentual - o equivalente R$ 18 bilhões - só por conta da estimativa de retração na economia e, no final de março, estava em 37,6%.

Os números oficiais do PIB neste início de 2009 só devem ser divulgados no começo de junho, mas, segundo projeções feitas por analistas do mercado financeiro, a economia brasileira deve ter encolhido 1,6% no primeiro trimestre ante os primeiros três meses de 2008.

Com um PIB menor, a relação entre dívida e PIB sobe. Em março, o endividamento sob responsabilidade do setor público (governo federal, Estados, municípios e estatais) somava R$ 1,098 trilhão, um aumento de R$ 28,478 bilhões desde o começo do ano. O PIB estimado pelo BC, por sua vez, caiu R$ 47,979 bilhões no mesmo período. Como resultado, a razão entre os dois passou de 36% para 37,6% - somados aí outros fatores, como a alta do real.

A comparação entre dívida e PIB é vista como importante porque ajuda a indicar a capacidade que o setor público tem para pagar em dia seus compromissos. Em tese, quanto maior o PIB, mais facilidade o governo tem para arrecadar os recursos necessários para quitar seus débitos.

Mesmo com essa alta, porém, o indicador está longe dos níveis recordes observados há alguns anos. Em 2002, a relação dívida/PIB chegou a 56%.

Para o economista Fabio Kanczuk, professor da USP, a queda no endividamento nos últimos anos é, justamente, o que deve proteger o equilíbrio fiscal dos efeitos da atual crise. “Vão ter que fazer muita barbeiragem por muito tempo para piorar essa situação.”

Kanczuk afirma que nem mesmo a redução da meta para o superávit primário - economia para o pagamento de juros da dívida pública - deve causar preocupações, embora ele diga duvidar da eficácia da medida para estimular o crescimento da economia.