Quatro adolescentes, moradores da Vila Dutra, em Bauru, afirmam que sofreram agressões físicas e psicológicas durante 50 minutos, no final da tarde do último domingo, por um grupo de adultos, após deixarem uma cachoeira - localizada, porém, em uma propriedade privada. Mas a atividade dos garotos se transformou em tortura quando eles foram abordados por quatro homens armados com canivetes, facas e um revólver, que teriam acusado o grupo de atear fogo na mata de uma fazenda nas imediações do Val de Palmas.
De acordo com o relato dos adolescentes, durante cerca de uma hora eles teriam sido espancados, tiveram de apagar o fogo com os pés e recebiam, a todo momento, ameaças de morte. Um deles chegou a perder um dente após ser agredido com um soco.
“A fazenda é de propriedade particular, mas a cachoeira fica fora dela. Quando a gente estava indo embora do lugar, eles vieram correndo e já partiram para a agressão. Disseram para a gente não correr porque estavam armados, e falaram que fomos nós que tínhamos botado fogo na fazenda no sábado. A gente falava que não. Mas quanto mais falava, mais apanhava”, diz o jovem de 18 anos.
Segundo uma das vítimas, os adolescentes foram obrigados a ficar de cuecas e virar de costas para receber o “castigo”. Um deles, de 17 anos, teve o cabelo cortado com uma faca usada pelos agressores.
“Ameaçavam a gente a todo momento. Tivemos que apagar o fogo com o pé. Tinha fogo ainda, porque tinha muito mato seco. Ficamos com mais medo ainda quando eles falaram que depois de bater, iam matar a gente e jogar no rio. Fiquei uns 30 minutos sem ver nada, só apanhando. Pensei que não ia voltar mais para minha casa”, afirma o garoto de 16 anos. Um dos meninos, de 14 anos, foi ameaçado, segundo as vítimas, de ter os órgãos genitais cortados. “Eles falaram que a gente estava com sorte, porque o cavalo deles estava longe. Senão, iam amarrar e arrastar a gente pelos trilhos do trem”, diz.
De acordo com os familiares das vítimas, os adolescentes têm medo de sofrer represálias dos agressores. “Eles estão assustados e tomando calmantes. Meu filho não dorme mais sozinho, fica com a gente no quarto. O que aconteceu foi muito grave. Nunca imaginei isso na minha vida”, afirma a mãe de um deles.
A polícia tomou conhecimento do fato quando o pai de uma das vítimas, indignado, reuniu um grupo para “tirar satisfações” com os acusados. Após um disparo de arma de fogo, a Polícia Militar foi acionada e levou os oito para o Plantão Policial, onde seriam ouvidos pelo delegado.
Os meninos foram submetidos, na quinta-feira, a exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. Os laudos ainda não foram concluídos, mas devem ser entregues à polícia nesta segunda-feira.