Na avaliação do governador José Serra (PSDB), os índices de criminalidade estão baixos no Estado. Entretanto, “basta ter um assalto para criar uma sensação de insegurança. E aí é melhor ser prudente e não ficar contando vantagem”, diz ele em entrevista exclusiva à reportagem.
De acordo com ele, em suas visitas ao Interior as principais queixas têm sido em relação à segurança. Leia mais a seguir.
Pergunta - O senhor diz que quando visita o Interior, as queixas geralmente recaem sobre a segurança...
Serra - É, mas também é sinal que estamos fazendo as outras coisas. Por exemplo, estrada, a gente está fazendo tanta coisa que não tem muita demanda. Então, em geral eu faço um discurso curto com um balanço e aí vem sempre que está faltando polícia ali e acolá, e aí você confere e não é bem assim.
Pergunta - Mas isso reflete uma sensação de insegurança generalizada que aflige o cidadão?
Serra - Não. Os nossos índices de criminalidade estão baixos, estão sendo reduzidos. Às vezes as pessoas pedem batalhão, companhia da Polícia Militar. Mas muitas vezes é apenas questão de prestígio.
Pergunta - Qual a visão do senhor sobre a segurança no Estado?
Serra - Os indicadores são bons. Mas basta ter um assalto, não precisa nem ser a mão armada, para criar uma sensação de insegurança. E aí é melhor ser prudente e não ficar contando vantagem. O importante é que as coisas melhorem e não fazer propaganda de que as coisas estão melhorando. É claro, é nítido, você constata pelos indicadores que São Paulo está cada vez segura. Mas isso não elimina a sensação de insegurança.
Pergunta - Ex-governadores foram criticados por subdimensionar o poder de fogo de facções criminosas, como o PCC. Alguns até negavam a existência. Como o senhor enxerga o alcance destes grupos que agem nos presídios e fora deles?
Serra - Estão sendo bem enfrentadas. Às vezes, setores da mídia, superestimam o poder deles. É superestimado. Às vezes interessa dar a ideia de um alcance maior do que têm. Não quero, com isso, desprezar. A gente procura ter uma visão realista a este respeito. Eu não acompanho o dia-a-dia, mas é visível que o problema de inquietação nos presídios diminuiu, pelo menos, em relação a 2006. E também no âmbito da antiga Febem, a Fundação Casa.
Pergunta - O fato de o senhor ter nomeado um secretário de Segurança que já passou pela Secretaria de Administração Penitenciária tem alguma relação com a preocupação de que as duas pastas ajam em sintonia?
Serra - O Marzagão (Ronaldo, ex-secretário) e o Ferreira (Antonio Fernando, atual) estudaram juntos e tiveram carreira no Ministério Público. E eles sempre se entenderam muito bem.
Pergunta - Na visão do senhor, é fundamental que as duas secretarias estejam com ações sincronizadas?
Serra - É crucial. São como siameses. E isso tem acontecido. É claro que o fato de o novo secretário já ter atuado na Administração Penitenciária, isso intensifica, acaba estreitando mais. Mas já era bom o relacionamento.
Pergunta - A Educação foi, na campanha, uma das maiores preocupações. De que forma nestes dois anos de mandato, o senhor conseguiu implantar as medidas prometidas?
Serra - Eu dou aula, quando eu posso, eu dou. Vou para a quarta série. Faço um teste de aritmética, de leitura. Eu ensino a ler jornal, explico o que é primeira página, foto, legenda. A garotada tem muita curiosidade. Eles perguntam sobre a minha vida etc. Agora eu fico testando. Por exemplo, a ideia de que tem que memorizar a tabuada, porque surgiram teorias de que não precisava memorizar.
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Avaliações
Herança Alckmin
“Sabe quando você pega um Estado quebrado? Nós não pegamos um Estado quebrado. Isso é muito importante. Eu sei o que é um Estado quebrado, quando nós assumimos aqui o governo Montoro, depois da administração do Maluf e do Marin.”
Investimentos e crise
“Apesar de a receita estar caindo, no primeiro trimestre ficou R$ 733 milhões abaixo da prevista, o nível do investimento vai ser mantido, pois não é com receita corrente. São receitas de capital, financiamentos, concessões.”
Desemprego
“Aumentou quase 50% a taxa de desemprego. E eu acho que o governo está fazendo sua parte. Se não fosse este investimento tão grande, o desemprego seria maior.”
Obras públicas
“Vamos fazer em atacado. E fazemos isso sem coloração partidária. Até porque é mais econômico e mais rápido você fazer tudo no atacado. Não fazemos troca-troca político com prefeitos.”
AMEs
“Todo mundo quer ter. Agora, você não pode fazer um AME em uma cidade pequena, nem fazer um AME do lado do outro. A capacidade de atendimento é muito alta. Tem alguns com 25 mil consultas. Tudo depende da estrutura.”
Reação contrária aos presídios
“É perfeitamente legítimo. É uma demanda legítima dos prefeitos. Porque isso gera uma sobrecarga sobre saúde, claro, tem problema de saneamento. Tem problema viário. Eu acho que compensação, sem abusos, é demanda legítima, quando sensata e racional.”
Segurança pública
“Os indicadores são bons. Mas basta ter um assalto, não precisa nem ser a mão armada, para criar uma sensação de insegurança. E aí é melhor ser prudente e não ficar contando vantagem. O importante é que as coisas melhorem e não fazer propaganda de que as coisas estão melhorando.”
Educação
“A imprensa disse que da 5.ª à 6.ª série está fraco. É claro, porque o investimento foi feito no primeiro e segundo anos, na alfabetização. Para que o aluno que amanhã vai estar na quinta e na sexta seja melhor preparado. Nossa política está bem-sucedida, só que os resultados são a longo prazo. Eu acho que para melhorar você precisa de uns três governos, para ter uma melhora substancial.”
Relação com Lula
“Tem sido boa. Do ponto-de-vista administrativo, foi boa. É, se você me perguntar se eu me sinto discriminado (por estar no PSDB), não. No campo administrativo anda normalmente.”
PAC
“A coisa do PAC que mais anda é o investimento do RodoAnel, que eles (governo federal) dão R$ 300 milhões por ano. No total é R$ 1,2 bilhão e custa R$ 4,3 bilhões.”
Efeitos da crise
“Este ano é de estagnação. O ano que vem vai ter uma pequena recuperação. Agora, dar palpite, eu tenho experiência como economista para saber que não é certo.”
Candidatura ao Planalto
“É natural. Eu não penso nisso. Vivo não me deixando contaminar pela ansiedade. Mas eu sei que é muito difícil fazer com que ela não exista.”
Gripe suína
“O que tem que fazer é atuar com muita eficiência para detectar. A epidemia, por mais incrível que pareça, a ação mais importante é descobrir os casos. Aí você pode isolar e impedir a propagação.”