09 de julho de 2026
Ser

15% dos casais enfrentam infertilidade

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Aos 20, 30 ou aos 40 anos. A idade não importa. Não há nada mais importante no mundo para a mulher que tem o desejo de ser mãe aflorado do que sentir a gravidez tão desejada. E, quando os métodos naturais não surtem efeito, ainda há os tratamentos e a fecundação in vitro ou a adoção.

As principais causas da infertilidade feminina estão no fator ovulatório. Mulheres que têm ovulação irregular ou outros problemas relacionados, como ovários polimulticísticos, são as que mais apresentam dificuldades em engravidar.

A endometriose é outro problema bastante comum entre as mulheres. De acordo com o médico ginecologista Eduardo Crivelari Baisch, cerca de 10% das mulheres com dificuldade para engravidar têm esse problema.

Segundo Baisch, o fator idade tem levado um número cada vez maior de mulheres buscar por tratamentos de fertilização. “Muitas mulheres se dedicam à profissão quando mais novas e, quando chegam aos 40 anos, decidem ser mães. Aí precisam de tratamento porque a fase reprodutiva está no fim”, aponta

De acordo com ele, a idade ideal para a reprodução feminina é dos 21 aos 35 anos.

Tratamento

Baisch explica que a mulher deve procurar um tratamento depois de dois anos tentando engravidar sem o uso de anticoncepcionais. Isso se ela não tiver problemas. Caso ela tenha endometriose, ovários polimulticísticos, por exemplo, já deve procurar um tratamento se desejar ter filhos logo, porque, provavelmente, ela terá dificuldades para engravidar.

“Muitas mulheres chegam aqui desesperadas para engravidar, com o grau de ansiedade elevado e até histéricas”, diz o ginecologista. A vontade de ser mãe é tanta que muitas até pensam em se desfazer de bens como carros e motos para pagar o tratamento. Tal procedimento é condenado pelo médico, que aconselha uma programação financeira nesses casos.

“O tratamento não é caro. É até barato pela realização do sonho que ele representa. Uma fertilização in vitro custa entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. E, infelizmente, não faz parte da política de saúde do governo brasileiro”, comenta Baisch.

A eficácia do tratamento não é 100%, mas está melhorando muito. O paciente precisa estar ciente de que é um tratamento médico como outro qualquer e, portanto, pode dar certo ou não. O sucesso, ou seja, a gravidez, gira em torno de 50% das mulheres que procuram o tratamento, pois depende de cada caso e, de acordo com Baisch, 15% dos casais brasileiros apresentam algum tipo de infertilidade.

“Um ato de amor”

Adriane Simões Lasnik de Brito é mãe adotiva da pequena Giovana Alves Lasnik, 7 anos. Os laços de amor e de carinho que unem mãe e filha vão muito além do sangue.

“Depois de dois anos de casada, já tentávamos engravidar, mas não conseguia, mesmo depois de seis anos. Fiz a inseminação artificial por duas vezes, mas não conseguiu engravidar nem assim.” Foi quando decidiu adotar uma criança. Foi na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, onde foi passear com o sogro e descobriu que havia uma mulher querendo doar o bebê que ainda estava na barriga. “Ela dizia que não queria o filho porque já tinha sete e esse não era do marido dela. Eu disse que queria, independente do sexo. Então, quando nasceu, eu a adotei. Pretendo contar a ela que sou mãe adotiva, mas quando comecei a contar, ela teve um problema de depressão. Os cabelos caíram e decidi adiar um pouco, além de procurar ajuda na Universidade do Sagrado Coração para trabalhar o lado psicológico dela para contar. Procuro contar a ela com todo carinho, tenho tanto amor por ela que a sinto como se tivesse saído de dentro de mim.”

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“Era uma e me tornei quatro”

“Sentia que teria três filhos, como sempre foi meu sonho. Podia jurar que seriam dois meninos e uma menina.” Assim começa a narração da professora e pesquisadora Marília Afonso Rabelo Buzalaf sobre sua jornada, desde o tratamento para engravidar até se tornar mãe dos trigêmeos Rafael, Gabriel e Nathália, hoje com 10 anos de idade.

O desejo de ser mãe nasceu cedo em Marília. Aos 22 anos, e casada há dois, veio a certeza de que já estava na hora de ser mãe. Porém, a cada mês, uma decepção, a menstruação sempre vinha e nada de engravidar. As brincadeiras normais que todo casal jovem e recém-casado ouve, como “quando vão ter um filho?”, já a incomodavam e entristeciam.

Foi quando veio a decisão de procurar um tratamento mesmo tendo apenas 26 anos e ter feito vários exames que comprovassem que nem ela, nem o marido, tivessem problemas de fertilidade.

“Me sentia impotente por não conseguir engravidar”, diz Marília. Foi esse sentimento angustiante que a levou até uma das melhores clínicas de fertilização em São Paulo para saber mais sobre o assunto e ter a certeza de que o tratamento poderia ser feito. “O médico foi tão positivo e envolvente que, naquele mesmo dia, já comecei a tomar os remédios e a fazer o tratamento para engravidar”. Foram duas tentativas de inseminação in vitro. A primeira falhou. Na segunda, veio a surpresa: trigêmeos.

A pesquisadora conta que, logo no início da gravidez, perceberam que ela estava esperando quatro bebês. O médico aconselhou tirar dois, já que uma gestação assim tem grandes chances de não chegar até o final.

“Mas eu não aceitei o conselho. É como se meu extinto materno me dissesse que tudo ia ficar bem. Então, quando estava com dois meses de gravidez, percebemos que o coração de um dos bebês não estava batendo mais. Mas, graças a Deus, os outros três vieram com saúde e perfeitos. Ter trigêmeos para mim foi um grande sonho realizado”.