Ronaldo não pôde comemorar o título em campo. O assédio da imprensa sobre ele foi grande. Cercado de seguranças, foi para os vestiários do Pacaembu, de onde viu, por um monitor, a festa dos companheiros. Protestou contra a falta de organização e, bastante emocionado, quase às lágrimas, comemorou seu terceiro título no Brasil, o primeiro com a camisa do Corinthians - foi campeão também no Cruzeiro, ainda no começo de carreira.
“Bom, eu vou falar, mas primeiro queria lamentar a desorganização que foi após o jogo, eu particularmente não tive oportunidade de comemorar o título, sei que todos têm direito de informar, mas aquele momento é único, poderia ter mais espaço”, criticou Ronaldo. “Mais uma vez tomei várias microfonadas. Temos de ter segurança. Com medo, fui para os vestiários e não dei a volta olímpica, por causa da desorganização.”
Ronaldo lamentou até o incidente na hora de levantar a taça, quando houve um princípio de incêndio no pódio móvel em que estavam o zagueiro William, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o ministro do Esporte, Orlando Silva. “Fogos no meio de papel, lógico que teria fogo. Ao invés de estarmos comemorando, poderíamos estar no hospital, disse o atacante.
Desabafo feito, hora de alegria. “Foi maravilhoso, foi incrível. Essa torcida não para, não para, não para de cantar e isso é maravilhoso. Nossa equipe deu a resposta e o corintiano está dividindo comigo essa alegria”, afirmou Ronaldo, que também elogiou o rival. “Tenho de dar os parabéns ao Santos, equipe digna de chegar à final do Paulista. Da nossa equipe, sem nenhuma hipocrisia, tenho de dizer que está de parabéns, que foi merecedora desse título. Já com voz embargada, Ronaldo seguiu o discurso. “Fomos um time guerreiro, que usou a inteligência quando tinha de usar, conquistamos um título invicto que desde 1940 (1938, na verdade) não acontecia aqui”, afirmou o atacante.
“Quero agradecer a milhões de pessoas que tiveram a meu lado, que acreditaram em mim”, afirmou Ronaldo. “A começar pelos jogadores, um grupo fantástico, de jovens que me receberam de braços abertos e que souberam me integrar da melhor maneira possível ao grupo. Quero agradecer a todos da fisioterapia, a parte médica, o doutor Runco (José Luiz Runco, médico da seleção brasileira e do Flamengo), que me hospedou no Flamengo, o Flamengo por me abrir as portas. Enfim, a todos que deram contribuição.”
No final da entrevista coletiva, na lotada sala de imprensa do Pacaembu, Ronaldo admitiu a alegria pelo título e a retomada de sua carreira. “Hoje é um dia especial, vamos comemorar, relembrar todos os momentos difíceis. É isso, obrigado a todos. Obrigado do coração, sou o homem mais feliz do mundo nesse momento”, afirmou o atacante.