09 de julho de 2026
Geral

Mãe reclama na Justiça erro em cirurgia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A diarista Ana Maria Garcia Ferreira acusa o Hospital Estadual (HE) de ter cometido erro numa cirurgia pela qual sua filha caçula, de 4 anos, realizada em março. De acordo com a mãe, a garota sofre com uma hérnia inguinal (na virilha) no lado esquerdo, mas a operação foi realizada no direito. Ao contestar a versão, o hospital informa que o diagnóstico sempre foi do lado direito. Ainda assim, a família da menina procurou um advogado para solicitar que o procedimento entendido como correto seja feito pela instituição, mas por outra equipe.

Conforme a reportagem apurou, a ação também requer indenização pelo equívoco e conseqüente dano. O caso ainda é acompanhado pelo promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel. Segundo Ana Maria, em janeiro deste ano sua filha Ana Luiza queixou-se de dores na região vaginal. No mesmo dia, ela e a criança se dirigiram ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI), onde a hérnia foi constatada, do lado esquerdo – conforme consta em exame. No entanto, como a instituição apenas resolve casos urgentes, a mãe foi orientada a procurar uma unidade básica de saúde.

A mãe procurou a unidade do Jardim Bela Vista e, posteriormente, foi encaminhada ao Hospital Estadual. No primeiro atendimento, outra hérnia também foi constatada, mas a segunda foi apontada como umbilical. No dia 4 de março, ambas as cirurgias foram feitas.

Mas quando a filha chegou no quarto, Ana Maria diz ter percebido que haviam operado o lado direito. Tentou falar com o médico, mas ele já havia deixado as dependências do hospital, conta. A mãe percebeu ainda que a hérnia do lado esquerdo continuava lá.

No retorno, quando a situação foi exposta, o profissional teria explicado a Ana Maria tratar-se de outra hérnia mais recente, mas do lado esquerdo. Na ocasião, ele incluiu no prontuário que ela havia notado um abaulamento do lado esquerdo após a cirurgia. A mesma informação foi prestada pela assessoria de imprensa do HE.

Desde o primeiro atendimento o diagnóstico foi de hérnia inguinal direita, mais hérnia umbilical e anemia falciforme. A queixa de abalamento inguinal esquerda deu-se no retorno após a cirurgia, argumenta o HE. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a instituição tomou conhecimento do questionamento da mãe da garota por meio de ofício enviado pelo promotor Lucas Pimentel.

Por ocasião do retorno ocorrido em março, os exames clínicos não confirmaram a queixa da mãe (de hérnia do lado esquerdo), porém ela foi orientada a continuar a observar o lado em questão e inclusive realizar “testes” como fazer a criança tossir e soprar o dorso da mão, que costumam fazer a hérnia aparecer. Ainda segundo a assessoria de imprensa do HE, quando da primeira consulta e por ocasião da alta, a mãe foi orientada quanto à possibilidade do aparecimento de hérnia no lado esquerdo.

Este, aliás, é um procedimento rotineiro de informação quando do diagnóstico de hérnia inguinal unilateral, seja ela à direita ou à esquerda, acrescenta o órgão de comunicação. De acordo com ele, a literatura médica indica que 60% das hérnias inguinais da infância ocorrem do lado direito, 30% no lado esquerdo e 10% são bilaterais.