09 de julho de 2026
Regional

Dois morreram por reação à vacina

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A morte de duas pessoas na região em virtude de uma reação à vacina tomada contra a febre amarela foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde. As vítimas, uma de Botucatu e uma de Avaré, apresentaram os sintomas da doença após serem imunizadas. Laudos emitidos pelo Instituto Adolfo Lutz, com base em amostras de sangue retiradas dos pacientes, atestaram a morte pela doença.

Uma das vítimas é Thaís Góes Silvestre, 20 anos, de Botucatu, que começou a apresentar os sintomas da febre amarela logo após tomar a vacina contra a doença. Levada ao Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu, a jovem acabou morrendo após quatro dias de internação. A outra vítima, de Avaré, não teve o nome divulgado.

De acordo com o médico chefe do departamento de Doenças Tropicais do Hospital da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, à princípio, os médicos descartaram a possibilidade da jovem de Botucatu ter morrido em razão de uma reação à vacina da febre amarela pelo fato dela não apresentar os sintomas comuns às pessoas que têm uma típica reação à dose. “O que ocorreu é um fenômeno muito raro. Aqui no Brasil, a incidência de ocorrência vai de 1 em 1 milhão de doses aplicadas a 1 em 4 milhões de doses”, explica.

Na opinião do médico, a ocorrência de duas mortes na região, apesar de ser considerada lamentável, não deve causar alarde ou preocupação entre a população. “Foram dois casos, é uma incidência elevada. Mas, por outro lado, em outras campanhas, não se viu nenhum caso”, afirma. “Infelizmente, nós tivemos a infelicidade de ter dois casos em uma mesma campanha de vacinação que, em uma região estendida até próximo da área de Itapeva, vacinou cerca de 1 milhão de pessoas”.

Segundo o médico, não existem razões para que as pessoas fiquem com medo de se vacinar contra a febre amarela, já que a vacina é o único meio comprovadamente eficaz de se evitar a contaminação pela doença.

Fortaleza explica que, apesar dos casos de febre amarela registrados em Sarutaiá, Itatinga, Avaré, Piraju e Buri entre os meses de fevereiro e abril, que causaram preocupação entre os órgãos de saúde, não foram detectados novos casos da doença até o momento. “Na região, é improvável que novos casos de febre amarela apareçam porque as pessoas estão majoritariamente vacinadas”, afirma. “O que, de fato, acontece e nos preocupa na febre amarela é que ela vai se estendendo para além dos limites das áreas vacinadas. A gente não consegue prever onde ela vai aparecer”.

Outro fator preocupante, de acordo com o médico, é a possibilidade da urbanização da doença, o que pode ser favorecido em razão do ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. “Mas, felizmente, nós não temos visto isso acontecer”, revela. “Todos os casos que ocorreram até agora são casos silvestres”.

Segundo Fortaleza, em alguns casos, a febre amarela é de difícil detecção pelo fato da doença não apresentar sintomas. “De 80% a 90% dos casos vão passar despercebidos como uma doença leve, com uma certa dor muscular e febre, mas sem outros sintomas”, conta. “O que nos preocupa são os casos sintomáticos, em que a pessoa tem muita febre, dor no corpo, dor de cabeça e, a partir do 4º dia, fica amarela e começa a apresentar sangramentos. Esses são casos preocupantes porque, geralmente, evoluem para uma falência do fígado, do rim ou de outros órgãos”. Segundo o médico, no caso de apresentar qualquer um desses sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente atenção médica para receber o atendimento adequado.

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou 72 casos de febre amarela na região. Desse total, 25 casos foram confirmados, sendo 9 com evolução para o óbito. A situação mais grave foi em Piraju, onde ocorreram 12 casos com 6 mortes. Sarutaiá teve 6 doentes e uma morte; Itatinga e Avaré tiveram 4 casos e uma morte e Buri registrou 3 casos e uma morte.