10 de julho de 2026
Regional

Filha assume tradição após falecimento do pai

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O terço cantado na propriedade rural de Osório Sardinha no dia de São Pedro ou no sábado seguinte era uma data marcante para os moradores do distrito de Santa Isabel, região de Arealva (41 quilômetros de Bauru). Quem participou jamais esqueceu. Tinha a reza, fartura de comida caipira e muita alegria com o forró tradicional. No amanhecer, o copo de leite quente com o pão caseiro também ficou na lembrança.

Para manter a tradição, depois da morte do anfitrião, a filha, Neusa Sardinha, há nove anos assumiu a incumbência e prossegue com a tradição.

Para acolher os convidados, Neusa não mede esforços. Ela e a família instalam uma grande barraca no vasto quintal da casa, que se assemelha a uma chácara. “Fazemos uma barraca com bambu e encerado, que entre nós é conhecido como paralisado. É ali que se desenvolve a festa de São Pedro. Mais de 100 pessoas participam todos os anos. É ali que montamos o altar para o terço. Tem quadrilha e muita dança.”

Os convites são feitos de um ano para outro. Quando termina o terço cantado, o dono da casa já convida para o próximo ano.

O pão caseiro da Neusa é algo que dá água na boca. Ela explica que o pão faz parte da tradição deixada pelo pai. “Na época do meu pai, o terço era feito no terreirão de café, no sítio. A festa seguia até o amanhecer, quando meu pai servia café com pão aos convidados. A bandeja era a peneira de café.”

A preparação para o terço cantado começa bem antes do dia marcado. “Além do pão, eu faço doce de abóbora mole para os convidados comerem com o pão. Faço uma massa frita com açúcar por cima, cachorro-quente, quentão e leite quente.

Osório Sardinha rezou o terço por mais de 40 anos

Em junho de 2000, o patriarca da família Sardinha estava doente, lembra a filha, Neusa Sardinha. “Ele amanheceu com febre. Foi levado ao médico que indicou a internação.”

O pai teria ficado no hospital recebendo medicamentos até o início da noite, mas fez questão de retornar para participar do terço. “Foi o último que ele participou. Naquele ano, ele morreu.”

‘Causo’ para assegurar fartura

Os pais e tios de "seo" Joaquim Silva comemoravam o Dia de São Pedro. Cantavam o terço e hasteavam o mastro do santo. Só que eles cumpriam um ritual diferente que não foi mantido pela família.

“Eles cavavam o buraco para fixar o mastro do santo. Na hora de enterrar a madeira, forravam o fundo com ovos de galinha. Isso, segundo eles, era garantia de colheita farta. Não sei se em função disso, mas havia muita fartura na propriedade”, comenta.