08 de julho de 2026
Geral

Desconhecidas, mas muito nutritivas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Araticum, bocaiúva, buriti, cagaita, guavira, gaboriba, ingá, jatobá, mangaba, pitomba e pequi. Esses nomes estranhos são de frutas do cerrado. A maioria delas ilustres desconhecidas de boa parte dos brasileiros, mas que deveriam fazer parte do cardápio de todos por causa de suas propriedades nutritivas.

Além do elevado valor nutricional, essas frutas contêm antioxidantes e atuam como alimentos nutracêuticos, ou seja, alimentos, ou parte deles, que têm a capacidade comprovada de proporcionar benefícios à saúde, como a prevenção e tratamento de doenças, informa a nutricionista Suely Prieto de Barros.

Algumas frutas nativas do cerrado como araticum, buriti, cagaita e pequi apresentam teores de vitaminas do complexo B (indispensáveis para a saúde da pele, cabelos, visão, boca e fígado), equivalentes ou superiores aos encontrados em frutas como abacate, banana e goiaba, tradicionalmente consideradas como boas fontes dessas vitaminas.

Outra vantagem é que grande parte das frutas nativas das regiões de clima tropical é rica em carotenóides - substâncias responsáveis por dar origem à vitamina A no nosso corpo. Esses compostos ajudam a proteger a pele, os pulmões e o coração e estão associados à redução do risco de câncer e outros males degenerativos.

O buriti é rico também em cálcio, ferro e proteínas vegetais. O cálcio tem como principal papel a formação da massa óssea e dos dentes. O ferro é essencial para a formação da hemoglobina do sangue e para a respiração celular. Sua carência leva à anemia. E as proteínas são responsáveis pela formação e manutenção dos tecidos celulares e pela formação dos anticorpos contra infecções.

A cagaita, entre outras propriedades, é rica em carboidrato, substância que produz a energia necessária para o funcionamento do organismo de quase todos os seres vivos. É essa energia que mantém a atividade cerebral, a respiração, circulação sanguínea, batimentos cardíacos e também a temperatura do corpo, segundo a nutricionista.

O pequi, por sua vez, é rico em fósforo, que entre outros benefícios ajuda a combater a perda de memória e a taquicardia. O baru tem ferro e zinco em abundância. O zinco, quando em falta no organismo, pode levar ao retardo no crescimento, atraso na maturação sexual, anemia suave, acuidade diminuída do paladar, lesões na pele e imunodeficiências.

Osmar Cavassan, professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, diz que as frutas do cerrado não são tão conhecidas no Estado de São Paulo como em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de alguns Estados do Nordeste, porque sobraram poucas áreas de cerrado por aqui. Em Goiás, por exemplo, o cerrado está presente de ponta a ponta no Estado. Lá, arroz com pequi é um prato obrigatório, entre outros.

“Como temos menos cerrado por aqui, conseqüentemente temos uma oferta menor de frutas típicas desse bioma”, alega. Segundo ele, um dos problemas do cerrado, se é que dá para colocar dessa forma, é que as árvores demoram a crescer. Portanto, é preciso um pouco de paciência até poder colher os frutos.