08 de julho de 2026
Geral

Lotado, aterro sanitário é problema

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O aterro sanitário de Bauru recebe 220 toneladas de lixo domiciliar por dia. As três camadas iniciais estão esgotadas. A quarta camada foi instalada em 2008, mas não contava com licença prévia e foi “embargada” pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), no início deste ano. Agora, a prefeitura está sendo obrigada a resolver a questão.

Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, a administração está tentando o licenciamento da quarta camada do aterro. Ao mesmo tempo, iniciou estudos para ver se é possível instalar a quinta e sexta camadas, transformando o aterro em uma pirâmide. De acordo com o prefeito, assim que a quarta camada for licenciada, o município terá um fôlego de pelo menos mais dois anos para providenciar um novo aterro. Os planos iniciais da prefeitura é abrir esse novo aterro numa área localizada ao lado do atual. Mas para isso também é preciso licenciamento.

Independentemente do local, Agostinho sabe que em seu governo terá de providenciar um novo aterro. Segundo ele, o problema é que a obra demanda recursos. “Para isso, nós criamos uma conta na Emdurb para reunir recursos para que a autarquia possa se capitalizar para fazer o aterro”, revela. O valor necessário, segundo o prefeito, vai depender do tamanho do aterro.

Outra preocupação é quanto ao destino dos entulhos. Todos os dias, os canteiros de obras da cidade produzem cerca de 600 toneladas de resíduos da construção civil sem que haja um local ideal para deposição desse lixo. Hoje, esse resíduo vai para os bolsões particulares ou erosões. Enquanto são depositadas apenas sobras da construção civil não há risco nenhum. O problema é ter lixo misturado a essas sobras.

O prefeito lembra que quando os bolsões se esgotarem e não houver mais erosões, o município não terá mais lugar para depositar os entulhos. “Precisamos de uma usina de processamento de entulho”, afirma.

Outra atitude que pode colaborar bastante com a questão do lixo produzido na cidade é incutir no cidadão o hábito de separar materiais recicláveis. Isso reduziria a quantidade de lixo levada ao aterro, conseqüentemente aumentaria a vida útil do local, e ao mesmo tempo contribuiria com o meio ambiente, diminuindo a extração de matéria-prima.

O biólogo e coordenador de projetos do Instituto Ambiental Vidágua, Clodoaldo Gazzetta, lembra que os princípios da coleta seletiva no município foram implantados em 1993. O plano estratégico previa a expansão da coleta para 100% da cidade, a construção da usina de compostagem, da usina de reciclagem de entulho e o licenciamento do aterro sanitário. “Passados mais de 15 anos, pouca coisa mudou. O plano estratégico ficou esquecido pelo caminho e as ações do poder público se resumiram a evitar que o problema se agravasse”, observa.

Limpeza

Bauru é uma cidade muito suja. Essa é a avaliação do prefeito Rodrigo Agostinho. Segundo ele, uma boa parte da população não tem a cultura de cidade limpa. “As pessoas jogam lixo para todo lado. Por mais que a prefeitura limpe as praças e avenidas, as pessoas continuam jogando lixo”, reclama.

De acordo com o prefeito, esse é um problema que tem de ser trabalhado de duas formas. “Precisamos melhorar a estrutura, ampliar a coleta seletiva, colocar lixeiras na cidade, aumentar as equipes de varrição. Ao mesmo tempo, temos de investir na educação ambiental da população”, aponta.

Agostinho revela que parte dos recursos obtidos com a venda da folha de pagamento dos funcionários municipais para a Caixa Econômica Federal (CEF) será utilizada para investimentos em novas equipes de limpeza. Nesta semana, segundo informou a Emdurb, devem chegar as sete novas kombis que irão reforçar essas equipes.

Além disso, no próximo mês, está prevista a aquisição de 150 novas lixeiras, que serão instaladas em diferentes pontos da cidade, especialmente naqueles em que não existem esse tipo de recipiente. A prefeitura também prepara uma série de ações como implantar coleta seletiva e utilizar papéis reciclados em todos os órgãos públicos do município. “Sabemos que existe uma resistência a isso, mas é uma questão de hábito, de mudar o comportamento. Por isso, vai levar um pouco mais de tempo”, prevê Agostinho.