Nova York - Na resposta mais dura à Coréia do Norte desde o último domingo, quando o país fez um teste nuclear, o secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates, disse ontem que os Estados Unidos não aceitarão o regime de Pyongyang como um “Estado nuclear” e que considerariam uma “grave ameaça” ao Ocidente a venda de tecnologia de armas a outros países ou grupo terroristas.
“Não vamos ficar parados enquanto a Coréia do Norte monta a capacidade de causar destruição em qualquer alvo na Ásia - ou em nós”, disse Gates em uma reunião com os ministros da Defesa de Coréia do Sul e Japão em Cingapura, ontem.
O secretário ressaltou que não considera o regime norte-coreano uma ameaça direta aos EUA e que não planeja enviar tropas americanas à península Coreana, mas que o “caminho” percorrido pela Coréia do Norte pode levar a uma “corrida armamentista” na região.
O teste nuclear de domingo - o segundo da história promovido pela Coréia do Norte- gerou reprovação internacional unânime, inclusive de Rússia e China, principais aliados de Pyongyang. Ontem, em conversa telefônica, os líderes russo e japonês, Dmitri Medvedev e Taro Aso, concordaram na “necessidade de uma resposta mais séria” ao que chamaram de “um desafio ao sistema de segurança internacional”.
A tensão na península Coreana aumentou com o teste nuclear de domingo e com os seis mísseis de curto alcance disparados pelos norte-coreanos durante a semana. A Coréia do Sul reagiu aderindo a uma iniciativa americana de controle marítimo regional, o que, por sua vez, fez com que Pyongyang declarasse que qualquer “escaramuça” na fronteira poderia levar a um confronto direto.
A Coréia do Norte também disse que considera invalidado o armistício de 1953 que pôs fim, na prática, à guerra entre as duas Coreias. O que está por trás da escalada norte-coreana é incerto, mas o regime do ditador Kim Jong-il pode estar repetindo a tática de ameaçar militarmente para barganhar concessões ao seu empobrecido e isolado país.
“Talvez a Coréia do Norte tenha erroneamente acreditado que seria recompensada por seu comportamento”, disse ontem o ministro da Defesa sul-coreano, Lee Sang-hee, durante a reunião com Gates.
Sanções
A Coréia do Norte abandonou em abril as negociações internacionais por seu desarmamento, depois de receber críticas e sanções pelo lançamento de um foguete. O Conselho de Segurança (CS) da ONU está redigindo novas sanções econômicas e militares para o regime de Pyongyang, mas restrições similares, impostas após o primeiro teste atômico da Coréia do Norte, em 2006, tiveram pouco efeito prático. A Coréia do Norte prometeu reagir a novas sanções com novos disparos de mísseis no mar do Japão. Ontem, a Coréia do Sul disse que seus satélites espiões detectaram que o vizinho do norte pode estar preparando mais um lançamento de projétil de longo alcance.