08 de julho de 2026
Ser

Minha história: Amor infinito


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Bauru, anos 50. Wanda, com 10 anos. Jair, com 9 anos. Namoro precoce e conturbado. Namorar naqueles anos era complicado até para pessoas com mais idade porque toda donzela tinha um pai que era uma fera.

Wanda era aluna da escola Sesi, que então ficava na rua 1º de Agosto. Aprendia corte e costura. Jair ia buscá-la e eles subiam a pé a rua Rio Branco até a Praça Portugal, onde ficava a fábrica da Coca-Cola. Ao cruzarem a rua Vereador Joaquim da Silva Martha, acabava o asfalto. As ruas eram então de chão batido (areia).

Chegando na Praça Portugal, Jair se despedia de Wanda porque não queria correr o risco de se encontrar com o pai dela. Wanda morava na avenida Nossa Senhora de Fátima, numa granja, no meio do mato.

O pai acabou descobrindo o namoro das duas crianças. Ela levou várias surras, mas não largou do namoradinho. Foi apanhando do pai até os 17 anos, quando ele, vencido pela teimosia da filha, acabou permitindo o namoro. Aos 15 anos Jair foi para Jaú estudar na Escola Industrial, onde ficou por 4 anos.

Eles se encontravam nos finais de semana, na matinê do Cine Bauru e na missa da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Aí subiam a pé até a avenida de Nossa Senhora de Fátima (casa dela). Ela casou-se com Jair em 30/09/67, de véu e grinalda. Wanda tinha 22. Jair tinha 21.

Alguns meses depois ela engravidou, mas sofreu um aborto espontâneo. No dia 20/11/68, às 23h50, Jair retornava do trabalho (Companhia Paulista de Estrada de Ferro) a pé para casa.

Na quadra 8 da rua São Lourenço na esquina com a quadra 5 da rua Alto Purus havia um jipe estacionado. O veículo estava sendo furtado por ladrões. Jair interveio no ato delituoso, mas foi friamente baleado. Mesmo assim ele conseguiu chegar na sua casa, que ficava a uns 100 metros dali (rua Afonso Pena, quadra 13).

Ele foi socorrido por familiares e levado ao Hospital de Base. Lá veio a óbito uma hora depois. Wanda tentou prosseguir seus estudos na Faculdade de Direito (ITE), mas a dor da perda não permitiu. O homicida nunca foi descoberto pela polícia. Wanda Louzada de Souza (62 anos) não teve outro homem, não se casou de novo. Jair Rodrigues de Souza foi o único e verdadeiro amor de sua vida. Até que a morte os una de novo.

Gilberto Sidney Vieira