09 de julho de 2026
Bairros

Bauru abre espaço para tradições caipiras

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

O mês de junho chega e com ele a temporada de festas caipiras. De agora até pelo menos a metade de julho, escolas, entidades beneficentes, igrejas, empresas e a comunidade em geral se reúne em todos cantos de Bauru para os festejos juninos. Tradição e fé sustentam as festas juninas. No passado mais tradicionais em comunidades rurais, os arraiás juninos, hoje, mesmo que adaptados, ganham cada vez mais espaço no cenário urbano.

A religiosidade em volta de três santos ainda é o incentivo maior das festas. O primeiro a ser lembrado dentro da tradição junina é Santo Antônio, o casamenteiro, mas mesmo antes do dia 13 de junho dezenas de entidades, escolas e empresas já marcaram o arraiá.

Logo depois é a vez de São João entrar em cena e ser comemorado. As comunidades rurais aproveitam os festejos para agradecer a boa colheita e chegada das chuvas. A tradição na região é fechada com os festejos de São Pedro e São Paulo, mais cercados pela religiosidade. Nas regiões norte e nordeste, São Marçal, que aqui não é lembrado, também é muito comemorado no dia 30.

As festas juninas são marcadas pela alegria e pelo resgate de uma culinária tipicamente caipira. Bolo de fubá, doces de amendoim, pipoca, quentão, chocolate quente e tantas outras delícias. Ainda é possível encontrar as festas caipiras sendo realizadas à moda antiga, onde os moradores de uma comunidade ou de quarteirão se reúnem e se encarregam dos preparativos.

Mas a maior parte das festas realizadas atualmente pelos bairros de Bauru é de iniciativa de entidades, igrejas e empresas. A tradição das festas caipiras de junho não se resume apenas na comida, mas também no resgate de danças tipicamente rurais, como a catira e o arrasta-pé. A marcação da quadrilha ainda é um dos pontos altos dessa festança e outras tradições como caminhar sobre a brasa e subir na pau-de-sebo ainda são realizadas.

Cláudio Bertolli Filho, antropólogo e docente na área dentro do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, explica que os festejos juninos são um excelente exemplo do momento histórico que se vive, conhecido como pós-modernidade, onde se busca o novo, mas sem se abrir mão da tradição.

Esse movimento, segundo o professor, explica as “modernas festas juninas” que são realizadas aos montes por toda cidade, onde a religiosidade e até mesmo as comidas típicas que remetem a tradição junina foram deixadas de lado. “As festas caipiras de hoje tem mais um sentido filantrópico do que comunitário”, define. “Não tem mais a comunidade perto, mas a solidariedade em outra dimensão”, completa.

De um jeito ou de outro, o clima frio que chega junto com o mês de junho é um convite a participar das dezenas de festas caipiras e até quermesses com apelos juninos que se multiplicam pela cidade. Em Bauru, duas grandes festas se aproximam, uma com apelo religioso e a outra com o seu lado mais social e comunitário.

A quermesse de Santo Antônio, que teve início ontem à noite e só termina no dia 14 de junho, é cercada pela religiosidade, mas foge das tradições caipiras. Já a festa realizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) procura manter viva a tradição caipira, sem excluir a apresentação da quadrilha e apresentação de violeiros. A festança caipira do Sesc este ano, terá como tema “Cantigas e Canções, Danças e Orações” e acontecerá entre os dias 11 e 14 de junho.

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Com agenda quase cheia, grupo de catira faz escola

A Catira é uma dança folclórica feita por violeiros que cantam, sapateiam e palmeiam melodias de ritmo simples com as particularidades da moda de viola, que relatam em seus versos casos de amor, sátira e costume local. O Grupo Caçula de Catira do Clube da Viola de Bauru já está com diversos compromissos para o mês de junho. Em Bauru, o grupo tem presença garantida na festa do Serviço Social do Comércio (Sesc) e durante o mês junino, têm diversas outras apresentações por todo o Estado.

Benedito Antônio Domingues, que é quem coordena os ensaios e as apresentações, explica que a catira desperta um fascínio nas pessoas. Além dos 11 integrantes do grupo, a escolinha mantida em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, outros cinco pessoas aprendem os passos da dança. “O número de alunos varia bastante, às vezes, o número de vagas chega até a esgotar”, explica. “O mais importante é que os alunos que freqüentam as aulas, tem idade entre 12 e 30 anos, isso que dizer que essas pessoas irão manter viva a tradição”, prevê.

Domingues acredita que tanto a música caipira quanto a catira fazem parte da história de vida de muitas pessoas, por isso existe esse encantamento. “Vários de nós, quando crianças, tivemos a oportunidade de assistir nossos avós e tios dançarem a catira nas festas das colônias”, acredita.

Apesar da grande procura e de várias apresentações fechadas para o mês de junho, o catireiro avisa que o grupo ainda tem fôlego para mais apresentações. Os interessados podem contatar a Secretaria de Cultura ou o próprio grupo pelo telefone (14) 8131-2660.