08 de julho de 2026
Geral

Bauru refloresta mais e ajuda ambiente

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Em vez de boi, eucalipto. Em 13 anos, a área ocupada por plantações de eucalipto e pinus em Bauru aumentou seis vezes. Dados da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento mostram que de 1995 e 1996 a 2007 e 2008 o reflorestamento produtivo no município de Bauru aumentou de 666 hectares (ha) para 4,1 mil ha. De acordo com técnicos da secretaria, as plantações dessas árvores ocuparam o lugar que antes era usado como pasto para o gado. A vegetação natural também aumentou, ajudando a melhorar o meio ambiente.

Marco Aurélio Parolin Beraldo, assistente de planejamento do Escritório de Desenvolvimento Rural da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru, explica que a pesquisa da secretaria estadual considera a vegetação existente em cada uma das propriedades rurais avaliadas e afirma que áreas reflorestadas são aquelas cobertas por vegetação de cultivo, como pinus e eucalipto. “São culturas que tiveram uma expansão muito ampla. Grandes empresas que utilizam essas árvores arrendaram muitas áreas na região”, diz.

Porém, ele ressalta que esse tipo de vegetação não é exatamente uma recuperação ambiental. “Ela está lá para ser cortada. Não é uma recomposição da mata nativa, mesmo por ser uma espécie exótica”, explica. E essa floresta comercial se expande nos lugares onde antes havia pasto. “O que a gente pode observar pelo levantamento, é que algumas culturas, como a de cana, de laranja e eucalipto expandem enquanto as áreas de pastagem estão diminuindo”, avalia.

Para o presidente do Fórum Pró-Batalha, Ivan de Marche, esse tipo de cultivo pode ser considerado como um “reflorestamento produtivo”. “É com caráter comercial. Se fosse com o sentido de aumentar a floresta natural, seria classificado como recomposição da mata”, pondera. Mas ele avalia que entre as produções agropecuárias do município de Bauru, as matas de eucalipto e pinus são as que causam menos dano à natureza. “Entre cana-de-açúcar, pasto e o reflorestamento, o terceiro é o que causa menor impacto. A finalidade é produtiva, mas enquanto não são derrubadas, propiciam abrigo para vida silvestre. E também deixam o solo descansar”, avalia o ambientalista.

Pasto x eucalipto

O produtor rural Leopoldino Capelozza Filho já reduziu a área de pasto de sua propriedade, em Cabrália Paulista, em 30% no ano passado. No lugar, plantou eucalipto. Sem revelar números, afirmou que substituiu a produção em busca de rendimento maior. “O gado é muito incerto. O consumo nacional não aumenta e o preço varia muito“, pondera.

Já com o plantio de eucalipto ele espera colher resultados em breve. “A perspectiva é boa. Estou bastante animado”, afirma. Caso os resultados se confirmem, ele já pensa em diminuir ainda mais o rebanho para aumentar a sua “floresta”.

De acordo com o produtor, em dois anos já pode cortar as árvores, caso o objetivo seja fornecer madeira para alimentar fornalhas. Se a meta for a produção de celulose, o corte pode ser feito em seis anos. Já se o objetivo for a indústria de movelaria, o eucalipto deve ser cortado com mais de 10 anos.