Nova York - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, poderá assinar um compromisso referente à permanência de seu “guarda-chuva nuclear” sobre a Coréia do Sul durante a visita de seu colega sul-coreano a Washington, em meados de junho, informou ontem a agência local Yonhap.
Segundo fontes do governo de Seul citadas pela Yonhap, pela primeira vez os Estados Unidos poderiam comprometer-se a proteger a Coréia do Sul com seu chamado “guarda-chuva nuclear”, algo que já acontecia de maneira tácita desde o fim da Guerra da Coréia em 1953.
Ambos os líderes poderiam assinar um comunicado conjunto referente à proteção americana de seu aliado asiático mediante a dissuasão nuclear.
No encontro entre o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e seu colega Barack Obama, na Casa Branca, ambos falarão sobre a crise suscitada após o segundo teste nuclear da Coreia do Norte. A reunião será no dia 16 de junho e nela os dois líderes discutirão medidas de resposta à Coréia do Norte pelo teste nuclear.
Caças
Anteontem, o governo norte-americano decidiu reforçar sua presença no Pacífico com o envio de 12 caças F-22 Raptors ao Japão. Os aviões militares, que decolaram do Estado da Virgínia, chegaram à base aérea de Kadena, na província japonesa de Okinawa.
De acordo com fontes do Departamento de Defesa, os aviões fazem parte dos dois esquadrões que a Força Aérea americana montou nos últimos quatro meses com objetivo de reforçar a segurança no Pacífico Ocidental.
“Não ficaremos parados enquanto a Coréia do Norte desenvolve capacidade para semear a destruição”, disse o secretário da Defesa americano, Robert Gates. “A política dos Estados Unidos não mudou. Nosso objetivo é a desnuclearização completa e inquestionável da península, e nós não vamos aceitar que a Coréia do Norte seja um Estado nuclearizado.”
Movimento
As medidas dos Estados Unidos foram tomadas depois que fonte de Washington disse a um jornal sul-coreano que Pyongyang prepara a transferência de um míssil balístico intercontinental de fábrica próxima à capital para uma base de lançamento na costa Leste.
A fábrica é a mesma onde foi fabricado o foguete de longo alcance Taepodong-2, que a Coréia do Norte lançou em 5 de abril, em descumprimento a uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Mais cedo, o governo do ditador Kim Jong-il já havia lançado um foguete de curto alcance, no sexto lançamento feito só nesta semana.
Ao lado de autoridades da Coréia do Sul e do Japão, durante reunião em Cingapura, Gates firmou uma via multilateral para conter a ameaça das ambições nucleares da Coreia do Norte. “Se a Coréia do Norte pensa que desta vez vai ser recompensada por seus erros, está completamente enganada”’, disse o secretário de Defesa sul-coreano, Lee Sang-hee.
Nesta semana, a Coréia do Norte, que apresenta um discurso cada vez mais hostil, alertou sobre a possibilidade de um conflito, dizendo que não estava mais amarrada a um armistício que encerrou com a Guerra das Coréias (1950 a 1953), e fez ameaças caso receba sanções do Conselho de Segurança. O governo afirma que vai agir “em legítima defesa”.
O país ganhou milhões de dólares ao exportar tecnologia de mísseis ao Oriente Médio, dizem analistas de defesa, e há temores de que a nação possa fazer o mesmo com o seu novo know-how nuclear.
Também em Cingapura, a China, maior aliado da Coréia do Norte, pediu calma à comunidade internacional. “A península coreana deve se dirigir à desnuclearização e esperamos que todas as partes envolvidas mantenham a cabeça fria e respondam de forma comedida ao problema”, declarou Ma Xiaotian, vice-chefe do Estado-Maior geral do Exército chinês.