08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Festas juninas


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O cipó de São João já começa a dar o ar da graça, subindo nas cercas na beira da estrada ou rastejando em campinas geladas e molhadas pelo orvalho das manhãs de outono.

O mês de junho se aproxima e com ele as Festas de Santo Antônio (12), São João (24) e São Pedro (29). Muitas quermesses com quadrilhas, banderinhas coloridas, som de sanfona e guloseimas doces e salgadas! Que tal um vinho quente ou um quentãozinho? De falar já dá água na boca! A simples pipoca nessa época é mais gostosa. Mas não vale aquela de microondas. Boa é aquela estourada no óleo quente! São as festas que encerram o primeiro semestre. Os estudantes (ou não) encerram o meio do ano com um gosto de canjica, arroz doce, bolo de fubá, só para mencionar algumas delícias.

As noites de junho são frias, escurecem cedo, mas nada que uma boa fogueira para aquecer o coração e iluminar os olhos com seu fogo trepidante. Minhas melhores memórias de infância passam pelas anuais Festas Juninas: calça remendada, chapéu de palha, lenço no pescoço, botinas, bigode e cavanhaque desenhados com rolha queimada no fogão! Para as meninas, vestidos coloridos e floridos aplicados de rendas e acompanhadas de chapéus com tranças. Lembrou né! E olha que eu morava em São Paulo! Nunca deixamos de festejar, a cada ano, as Festas Juninas. Brincadeiras de latas e bolas de meia, pescaria na serragem, “cadeia” de mentirinha, correio elegante, quadrilhas engraçadas em que todos querem ser noivos e noivas (eu já fui noivo). Prendas de 1,99 mas que todos querem ganhar, nem que seja uma bola colorida de plástico. Minha mãe já está ficando louca com a molecada batendo na porta, toda hora, todo dia: “A senhora tem prenda para a escola?”.

Independente da associação aos Santos Católicos como antigamente, as festas de junho fazem parte do imaginário, do lúdico, da cultura brasileira, do folclore, das tradições, sejam gastronômicas, musicais, misticas! É cultura em suas diversas manifestações de arte. Que me corrijam os pedagogos, sociólogos e estudiosos de nossa riquíssima cultura brasileira. Diante de tanta alegria e diversão ao alcance de todos, fica difícil acreditar que tem escolas infantis que pulam essas festas no calendário porque os pais não participam, a maioria das vezes por motivos religiosos!

Agora fiquei sabendo que o governador do Estado de São Paulo proibiu a venda de quentão e vinho quente nas festas juninas das escolas estaduais. Assim fica difícil cultivar as tradições!

Nei F. Lima