09 de julho de 2026
Internacional

Parentes reclamam da falta de informação


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Rio de Janeiro - Os familiares e amigos dos passageiros do vôo AF 447 da Air France dormiram aguardando ligações sobre o início de uma viagem de férias ou sobre as novidades de um encontro de negócios. Acordaram com o desaparecimento da aeronave. A romaria de familiares ao Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim começou cedo. Alguns afirmavam, sem convicção, ter esperança de reencontrar os desaparecidos.

Eles foram recebidos no salão nobre, na sala de administração da Infraero, no “gabinete da crise”, com a participação do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, da diretora-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, e com dirigentes da Infraero.

Alguns passageiros queixaram-se sobre a falta de informações por parte da empresa. Eles eram encaminhados a uma sala da Infraero no terminal 1 e, em seguida, levados para o prédio administrativo da Infraero, anexo ao aeroporto.

Um familiar de passageiro, que não se identificou, reclamou da demora em confirmar nomes. “Estavam várias pessoas na sala onde estavam os parentes sendo chamados um por um, em vez de passar a listagem toda para a gente.”

Os familiares queixaram-se do assédio de repórteres. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi ao prédio da Infraero solidarizar-se com a família de Marcelo Parente, 38 anos, seu chefe de gabinete. Os dois trabalham juntos desde 1993. “É um sofrimento muito grande”, disse Paes. Parente não tinha filhos e fazia uma viagem particular com a mulher.

Estavam no vôo também o presidente do conselho de administração da Companhia Siderúrgica do Atlântico, Erich Heine, e o presidente da Michelin América do Sul, o engenheiro Luiz Roberto Anastacio .

A apreensão se estendeu até para parentes de passageiros de outros vôos da Air France. Familiares de pessoas que embarcaram no vôo AF 443, por volta das 16h, foram levados para a sala onde estavam os familiares dos passageiros do vôo AF 447.

Pai, mãe e filha

Responsável pelo primeiro transplante de pele realizado no Rio Grande do Sul, o cirurgião plástico e professor universitário Roberto Corrêa Chem, 66 anos, embarcou com a família no vôo 447 da Air France para uma viagem a passeio por Grécia e Turquia.

Com ele, foram a mulher, a psicóloga e psicanalista Vera Chem, 63 anos, e a filha, a executiva Letícia Chem, 36 anos, gerente de roaming internacional da Oi.

De acordo com o cirurgião plástico Eduardo Chem, 38 anos, filho do casal, os pais partiram de Porto Alegre ao Rio de Janeiro no início da tarde de anteontem. Na capital fluminense, eles encontraram a filha, que trabalha na cidade, antes do embarcar no vôo da Air France. Roberto Chem ocupa o cargo de diretor do Banco de Tecidos Humanos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e chefia o Serviço de Cirurgia Plástica do hospital, onde trabalha desde os anos 70.