09 de julho de 2026
Bairros

Terreno vira lixão no Jd. Mendonça

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A 10.ª Semana Integrada do Meio Ambiente (Simab) está mobilizando toda a cidade sobre os desafios ambientais de Bauru. Mas um exemplo de que ainda falta muito para conscientizar todos os bauruenses sobre o tema pode ser visto no Jardim Mendonça. Uma área pertencente à Companhia de Habitação Popular (Cohab) virou um verdadeiro lixão no bairro, com montes de entulho de construção, despejos de bares, supermercados e lixo doméstico.

Mesmo com o frio da tarde de ontem, quem passava pelo local sentia o cheiro forte do lixo acumulado na área. O terreno fica no prolongamento da avenida Rosa Malandrino Mondelli, próximo ao córrego Vargem Limpa. Logo no início da área, há um campo de futebol que é usado pela comunidade principalmente nos finais de semana. No entanto, no fundo e nas laterais do terreno, montes e montes de lixo deixam a paisagem com o aspecto de aterro sanitário involuntário da região.

Moradora de um acampamento de trabalhadores rurais sem terra nas proximidades do terreno, Luzia de Fátima Generoso, 44 anos, conta que todos os dias tem que passar pelo local. “É horrível. No acampamento não tem coleta de lixo, mas não deixamos acumular nada, é tudo muito limpo. E aqui pertinho, sempre passa lixeiro. O pessoal é que resolve vir até o terreno jogar esse monte de sujeira”, indigna-se.

Além do mau cheiro e dos bichos que se multiplicam nos despejos acumulados, Luzia também critica o aspecto da região. “Tão ruim quanto o cheiro é a poluição visual. Parece que está tudo abandonado e a impressão que dá é que o lixo só está aumentando”, avalia.

Renda

O aposentado Joaquim de Sales, 83 anos, tenta não se abater com o cheiro do lixão involuntário. Três vezes por semana, ele passa mais de três horas no local em busca de material reciclável. Ele recolhe sucata para incrementar a renda da família, que mora no Jardim Mendonça. “Muita gente joga lixo aqui, mas não sei falar o que pode ser. Talvez, algum supermercado, um bar”, avalia.

Ele conta que, por semana, consegue R$ 10,00 com o material que coleta. “Só trabalho aqui. Chego com a carriola depois do almoço e fico umas três horas procurando sucata. Ajuda a arrumar um dinheiro para pagar a conta de água, de luz”, diz.

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Educação

Procurado pelo Jornal da Cidade, o presidente da Companhia de Habitação Popular (Cohab), Edison Bastos Gasparini Júnior, informa que vai solicitar a visita de um engenheiro ao local para avaliar quais medidas podem ser tomadas para coibir o despejo de lixo no terreno. “Vamos estudar o que pode ser feito para evitar isso”, afirma.

Gasparini pondera que a solução também passa pela educação dos moradores. “É preciso conscientizar ainda mais a população. Temos que pedir para que as pessoas não façam mais isso”, solicita.