No último domingo, contra o Cruzeiro, Hernanes começou o jogo no banco de reservas. O camisa 10 do São Paulo enfrentou essa situação pela primeira vez desde que seu futebol sofreu uma queda de rendimento. Eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro do ano passado, ele já vinha sendo muito questionado por boa parte da torcida. Para piorar a sua situação, o time teve uma das melhores atuações em 2009, se não a melhor. E o grande destaque do jogo foi justamente Marlos, o substituto de Hernanes.
“Ele está passando por uma má fase, mas é um bom jogador e logo voltará a mostrar o seu melhor futebol”, disse o técnico Muricy Ramalho, ao explicar a opção de deixar Hernanes no banco de reservas. A verdade é que, desde que trocou de posição, o jogador nunca mais foi o mesmo. Até o ano passado, quando jogava como segundo volante, vindo de trás para surpreender os adversários, Hernanes foi o destaque do São Paulo. Com a ausência de meias - um problema crônico do elenco são-paulino -, ele teve de atuar mais à frente, perto dos atacantes.
Hernanes reconheceu que a sua preferência é jogar de volante, mas não teve jeito. “Eu falo para ele não buscar motivos para explicar isso, mas sim se aprimorar tecnicamente e se aplicar muito no trabalho”, disse Marco Aurélio Cunha, superintendente do São Paulo e um dos conselheiros de Hernanes. “O que houve foi uma mudança de posição e teve uma perda técnica.”
O dirigente são-paulino garante que o assédio de clubes europeus não interferiu no rendimento do jogador. Na semana passada, o Milan acenou com a possibilidade de contratar o meia. Estaria disposto a pagar até US$ 20 milhões, mas o São Paulo reluta e não aceita liberar por valor abaixo da multa, que gira em torno de US$ 25 milhões.
“Não tem nada disso. O Hernanes é absolutamente hermético quanto a isso”, garantiu Marco Aurélio Cunha. “E outra, ele está ganhando bem, o suficiente, não tem necessidade de sair. Sua vida social sofreu uma mudança boa, não pensa em sair.”
O próprio jogador reconhece que não atravessa um bom momento. Costuma dizer, no entanto, que as tempestades não duram muito. A cobrança exagerada pode ser outro fator que influencie no mau rendimento. “Acho que ele sentiu um pouco essa cobrança de ser o protagonista, tem dificuldade de assimilar isso. Mas ele logo reequilibra tudo”, prevê Marco Aurélio Cunha.