Nos três primeiros meses deste ano, Bauru deixou de utilizar 12,2% das vagas para consultas de especialidades distribuídas entre os municípios que compõem a Divisão Regional de Saúde (DRS-6), no Hospital Estadual (HE). Da cota de 1.302 procedimentos autorizados, o município não utilizou 159. A informação é da instituição médica, após questionamentos do Legislativo em relação à demanda de atendimento especializado na cidade.
Apesar disso, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, há cerca de 30 mil pessoas na fila. Em nota, o hospital informou que “é importante que se esclareça que o HE disponibiliza mensalmente vagas para consultas para pacientes que aguardam o primeiro atendimento, considerados casos novos”. De acordo com a assessoria, a situação não é diferente com vagas para realização de exames dos mais diversos tipos. A taxa de faltosos, em geral, é em torno de 25% e diz respeito a todos os municípios da área de abrangência da DRS. Foram realizados 10.026 atendimentos ambulatoriais (onde estão incluídos consultas, retornos e alguns tipos de procedimentos) em janeiro, 9.461 em fevereiro e 11.294 em março.
Para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), o problema está na demora entre o primeiro contato feito na Unidade Básica de Saúde (UBS) até o agendamento da consulta de especialidade no hospital. “Tem muita gente que vai para a UBS e faz o atendimento. Precisa de uma especialidade e essa demanda é encaminhada para a Central de Vagas. Até essa consulta ocorrer, demora. Nesse meio de tempo, a pessoa procura outras formas de atendimentos.”
A instituição, que presta serviços aos 68 municípios de sua área de abrangência, numa região de aproximadamente 1,8 milhão de habitantes, tem sido questionada pela Câmara de Bauru em relação à utilização dos recursos enviados para o Hospital Estadual, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital tem orçamento anual de, aproximadamente, R$ 65 milhões, creditados em parcelas mensais. Além do atendimento ambulatorial e hospitalar em 40 especialidades, realiza também exames clínicos.
Custos do serviço
No mesmo ambiente da discussão sobre fila de atendimento, o Hospital Estadual (HE) foi tema de discussão, na última sessão legislativa, em relação ao custo dos serviços.
O vereador Roque Ferreira (PT) encaminhou um CD com informações sobre a folha de pagamento do hospital ao deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), por meio do também tucano Marcelo Borges. O petista não mencionou dados, mas a discussão é sobre gastos com salários.
No mês passado, o deputado afirmou que está lutando para instituir conselho para fiscalizar a divisão a utilização dos recursos para grupos que administram unidades hospitalares, como o HE, e informou na época não saber como e quanto é pago aos professores da Faculdade de Medicina e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp).
Segundo a assessoria, o hospital é administrado sob as diretrizes e preceitos estabelecidos pela Secretaria de Estado da Saúde, tem as contas auditadas, assim como a folha de pagamento, pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e pela própria secretaria. “O HEB tem aprovação de 85% de sua clientela, o que lhe proporciona estar entre os 30 melhores hospitais do Estado de São Paulo. Vale ainda ressaltar que o HEB não possui convênios e, portanto, não há distinção no atendimento aos pacientes”, informa a nota.
Conforme informações obtidas pelo JC e publicadas na edição de ontem, os questionamentos que chegaram às mãos dos parlamentares tratam de diferenças de vencimentos por especialidades, plantões médicos realizados e jornada de trabalho dos profissionais. Os dados apresentam rendimentos a partir de outubro de 2008 para médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, e até auxiliar de farmácia.
De acordo com a lista, um pediatra júnior teve salário-base de R$ 4.405,00 e recebeu R$ 10.227,37 de proventos/mês. O profissional contabilizou R$ 4.520,00 no salário devido ao plantão médico. Já para a mesma função na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a especialidade custou, ao final do mês, R$ 13.945,55 ao hospital, sendo feito o pagamento de R$ 5.220,00 referente a plantões.
“No que diz respeito à folha de pagamento, os profissionais são remunerados de acordo com carga horária, competências, funções e plantões que realizam (entenda-se por plantões o atendimento feito fora do horário normal de expediente: podem ser de 12 ou 24 horas - noturnos, de fins de semana e/ou feriados. Este tipo de atendimento pode ocorrer nas enfermarias, UTIs, urgências e emergências, entre outras situações). O sistema de controle de freqüência e de horas trabalhadas é informatizado e utiliza cartão de ponto eletrônico”, informa a assessoria do hospital.
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Posse
A administração do Hospital Estadual de Bauru realiza hoje, às 16h, a cerimônia de posse do novo diretor-executivo, médico pediatra Antero Frederico Macedo de Miranda, no auditório da instituição, seguida de recepção aos convidados.
Miranda faz parte da equipe administrativa desde a inauguração do hospital, em 2002. A indicação do nome foi aprovada pela congregação da Faculdade de Medicina da Unesp, órgão que reúne representantes de todos os segmentos da faculdade, num total de 46 membros, e pelo secretário de Estado de Saúde, Luis Roberto Barradas.
Seu antecessor, médico Emílio Carlos Curcelli, deixa o cargo para dirigir o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu. Curcelli esteve no cargo desde o início do funcionamento do hospital.