Está muito mais fácil e mais barato conhecer Manaus, a imponente Capital do Amazonas. Com o início das operações da Azul Linhas Aéreas, o espaço aéreo entre Campinas (SP) e a sede da Zona Franca é vencido em pouco menos de quatro horas. Em dois vôos diários - um diurno, que sai de Viracopos às 9h30 e outro noturno, decolando às 21h50.
A companhia, que vem merecendo páginas nos principais jornais de economia e nas revistas especializadas, incluindo a última “Veja”, está conseguindo oferecer aos brasileiros o que há anos ansiavam: passagens a preço de custo, prática comum nos Estados Unidos - o dono da Azul foi um dos fundadores da Blue Jet.
Manaus sempre foi um dos destinos mais almejados e ao mesmo tempo mais inacessíveis dos brasileiros por conta dos preços. Com a entrada da nova empresa, agora você pode tornar seu sonho de aventura realidade.
A porta da selva
Quando se chega a Manaus, porta de entrada da floresta amazônica, bate uma sensação de fascínio e admiração para com os antigos desbravadores da área, que venceram todos os entraves e conseguiram se fixar nesse pedaço de selva, longe de tudo e de todos.
Custa crer como venceram animais selvagens, rios caudalosos e intrépidos navegadores franceses, espanhóis, ingleses e holandeses que se aventuraram pela região que mais tarde formaria o Estado do Amazonas, à procura de riquezas minerais e especiarias.
Manaus começou como um aldeamento indígena construído ao redor de uma fortaleza, em 1669, que foi erguida para evitar que invasores holandeses aquartelados no Suriname (ex-Guiana Holandesa) tomassem conta do Brasil.
Aos poucos, o lugarejo habitado por indígenas foi se desenvolvendo e sendo batizado com vários nomes: Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, etc, etc.
Até 1804, “Lugar da Barra”, era muito pobre, com a população se concentrando entre o largo dos Remédios e o Igarapé São Raimundo. Virou vila em 1832, com o Nome de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro.
A criação da província do Amazonas, em 1850, deu novo fôlego à vila que passou a ser sua Capital. A população aumenta, ruas são abertas e construções edificadas.
Prosperidade
A prosperidade veio na segunda metade do século 19 com a exportação de castanha, arroz, cacau, guaraná, urucum e outros produtos da floresta. O auge ocorreu por volta de 1842, com a explosão do uso da borracha pela indústria, após a invenção do processo de vulcanização.
A riqueza passou a se refletir nas casas em que viviam as famílias endinheiradas. Sobrados e mansões surgiram em torno do porto.
Por isso, suas construções merecem um olhar demorado. Entre as grandes obras, destaque para o Teatro Amazonas (Praça São Sebastião), o Palácio do Rio Negro (avenida 7 de Setembro, 1540) e o Mercado Municipal, de 1883, que foi quase destruído por um incêndio e hoje passa por revitalização.
Réplica do Mercado de les Halles de Paris, o Mercado Municipal, à beira do Rio Negro, tem vitrais franceses e armação de ferro fundido.
Prova da sofisticação e riqueza de Manaus, há mais de 100 anos, que chegou a ser apelidada de “A Paris dos Trópicos”.
Para relembrar esse período áureo nada melhor do que caminhar a pé, conhecendo, também, os costumes dos manauaras que tomam guaraná batido - que possui três vezes mais cafeína do que o café, sendo portanto um forte energético-, beliscam chips de banana-pavoca, degustam sanduíches de tucumã e sorvem, no maior calor dos trópicos, cuias e mais cuias de tacacá.
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Zona Franca e os camelôs
Andar pelo centrão, depois do roteiro dos prédios históricos, não será tão fácil. Portanto, só parta para a empreitada de estiver mesmo a fim. Calce um tênis bem confortável, uma camisetinha básica e interaja com o povo.
Você vai se sentir como na rua 25 de Março, em São Paulo, mas com um detalhe: pertinho do porto e do rio. O comércio informal cresceu tanto nos últimos anos que as ruas ficaram apinhadas de barracas, camelôs e transeuntes.
Paciência é a palavra de ordem para compras sem arrependimentos e, um olhar aos sobrados multicoloridos da região, que aguardam restauração.
Há ainda inúmeras lojas de eletrônicos produzidos na Zona Franca - criada na década de 60 para reerguer economicamente a cidade que passava por um grave declínio com o fim do ciclo da borracha - por preços bem convidativos.
A Zona Franca fica no miolo das ruas Eduardo Ribeiro e Dr. Moreira, indo até a altura da Avenida Sete de Setembro. Hoje, com a abertura das importações, já não é tão convidativa. Mas mesmo assim vale a pena investir na compra de câmeras digitais, tevês de plasma ou aparelhos que gravam DVDs.