Brasília - Quatro dias depois de iniciadas as buscas aos destroços do Airbus da Air France, desaparecido desde domingo a cerca de 1.200 km da costa brasileira com 228 pessoas a bordo, a Aeronáutica e a Marinha descartaram que o primeiro objeto recolhido nas águas ontem pertença à aeronave.
Uma base de madeira para acomodação de cargas, de 2,5 metros quadrados, conhecida como “pallet”, foi localizada a 550 km do arquipélago de Fernando de Noronha por um avião R-99, equipado com sensores de varredura eletrônica.
Segundo a Aeronáutica, no entanto, não há possibilidade de o objeto pertencer ao Airbus, cujo pallet é metálico.
Duas boias também foram encontradas, mas não foi possível recolhê-las. Elas acabaram se desprendendo no momento do resgate, feito por um helicóptero da fragata Constituição, da Marinha. Fotografias foram tiradas, mas a Aeronáutica diz que não é possível dizer se elas são do avião.
Uma mancha de óleo avistada no local também não foi relacionada com o acidente. De acordo com a Aeronáutica, a extensão da mancha permite dizer que a quantidade de óleo é muito maior do que a capacidade de armazenamento da aeronave e que ela deve ser fruto de um vazamento de um navio.
Já a mancha de querosene visualizada perto do local provável da queda pode ser compatível com o avião.
“Esse alarme falso mostra a dificuldade para trabalhar nessa operação. Não dá para descartar nenhuma possibilidade. É preciso continuar recolhendo os objetos que forem encontrados. A estratégia não muda”, afirma o diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso.
Segundo Cardoso, os três navios que estão na região foram direcionados a pontos onde foram detectados vestígios do avião. Além da mancha de querosene, a Aeronáutica já identificou poltronas e fragmentos nas cores branca, marrom e laranja em 15 pontos próximos ao arquipélago de São Pedro e São Paulo. Os objetos podem ser do Airbus, mas não puderam ser recolhidos.
Para o militar, a dispersão dos objetos pela corrente marítima e por ventos é o principal entrave para o resgate.
A prioridade agora, disse, é encontrar corpos e recolher destroços. “Já se passaram cem horas do desaparecimento, e a possibilidade de encontrar sobreviventes é cada vez menor.”
Mesmo assim, disse, se um corpo for encontrado, todo o trabalho voltará a ser direcionado ao seu recolhimento e envio imediato ao continente.
Sobre a notícia de que pessoas em um avião viram uma explosão no ar, no domingo, o oficial diz considerar a hipótese “improvável’’, devido às más condições do tempo e à distância entre os aparelhos.
Buscas
A Aeronáutica já começou a preparar uma estrutura no arquipélago de Fernando de Noronha para receber possíveis corpos encontrados.
Para Fernando de Noronha, o governo de Pernambuco enviou na tarde de ontem, a pedido da Aeronáutica, três caixas com sacos próprios para o armazenamento de corpos.
O envio não significa, no entanto, que as equipes de busca acharam corpos. Segundo a secretaria, o procedimento foi realizado apenas “por uma questão de planejamento”.